Lula encurrala Flávio Bolsonaro sobre 'motosserra' de Milei em debate na Band
Durante debate presidencial, Lula confrontou Flávio Bolsonaro sobre a possível importação do modelo econômico argentino, marcado por alta na pobreza e desemprego.

Foto: Javier Milei na convenção do PL que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência; deputados argentinos repudiam Milei; Argentina de Milei - Javier Milei na convenção do PL /Foto: Allison Sales/Folhapress · Original e licença
O debate presidencial realizado neste domingo (18) na Band foi palco de um confronto direto sobre os rumos da economia brasileira. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) colocou o adversário, Flávio Bolsonaro (PL), contra a parede ao questionar sua proximidade com o presidente argentino Javier Milei. "Você vai pegar a motosserra emprestada do Milei?", indagou Lula, referindo-se ao símbolo de cortes radicais nos gastos públicos utilizado pelo ultraliberal.
Em vez de apresentar detalhes sobre seu programa econômico, Flávio Bolsonaro evitou responder diretamente sobre a adoção das medidas de austeridade argentinas. O senador limitou-se a atacar a política externa do governo brasileiro e a prometer um "tesouraço na corrupção". A esquiva de Flávio ocorre em um momento em que sua equipe econômica, liderada pela ex-presidente da Caixa, Dani Marques, é vista como defensora de uma agenda de redução drástica do Estado, alinhada ao receituário de Milei.
A insistência de Lula expôs as contradições do modelo argentino, que, apesar de ter reduzido a inflação, enfrenta um cenário social crítico em 2026. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec), a pobreza na Argentina atingiu 32,3% da população no primeiro semestre deste ano, uma alta em relação aos 28,2% registrados no final de 2025. A extrema pobreza também subiu, alcançando 7,5%.
Os indicadores econômicos revelam a fragilidade da recuperação prometida pelo governo Milei. No segundo trimestre de 2026, o PIB argentino encolheu 0,6% em relação ao trimestre anterior, e o desemprego chegou a 7,9%. Enquanto isso, o Brasil apresenta um cenário distinto: no trimestre encerrado em agosto, a taxa de desemprego brasileira ficou em 5,3%, conforme dados do IBGE, evidenciando o contraste entre os projetos de país defendidos pelos candidatos.
Fonte: Revista Fórum

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