Eleição brasileira sob lupa global: imprensa estrangeira alerta para riscos de guinada ultradireitista
A reta final da disputa presidencial de 2026 atrai olhares internacionais, com jornais estrangeiros destacando o acirramento nas pesquisas e os riscos geopolíticos e ambientais.

Foto: Flávio Bolsonaro e Lula Crédito: Reuters · Original e licença
A uma semana do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para o próximo dia 25 de outubro, o Brasil tornou-se o centro das atenções da imprensa internacional. Veículos das Américas, Europa e Ásia acompanham com apreensão a disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro, avaliando que o resultado definirá não apenas o futuro econômico do país, mas também seu papel estratégico na geopolítica global e na preservação da Amazônia.
O cenário eleitoral, que se mostra cada vez mais competitivo, foi detalhado por novas pesquisas divulgadas nesta segunda-feira (19). O levantamento Nexus/BTG Pactual aponta um empate técnico, com Flávio Bolsonaro registrando 46,5% contra 45,9% de Lula. No mesmo sentido, a pesquisa AtlasIntel/Bloomberg mostra o senador com 49,8% frente a 47,6% do atual presidente. A redução da vantagem do candidato da oposição reforça a expectativa de uma votação acirrada até o último momento.
O primeiro debate do segundo turno, realizado pela TV Bandeirantes, foi alvo de críticas severas por parte de agências como a Reuters e a Associated Press, além do jornal francês Le Monde. A cobertura internacional destacou o tom agressivo do filho do ex-presidente, que, segundo o diário francês, adotou uma postura de deboche e esquiva, enquanto Lula buscou confrontar o adversário sobre suas ligações com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Analistas internacionais apontaram que o embate foi marcado por ataques pessoais, deixando de lado discussões propositivas sobre o futuro do país.
Além da política interna, a imprensa estrangeira, incluindo o New York Times, manifesta preocupação com o futuro da agenda ambiental. Embora o governo Lula tenha reduzido o desmatamento, o jornal aponta a dificuldade do PT em converter esses resultados em apoio eleitoral na região amazônica. O debate sobre a soberania nacional também ganha peso: enquanto a reeleição de Lula é vista como a manutenção de uma política externa autônoma e voltada ao BRICS+, uma vitória de Flávio Bolsonaro é interpretada por analistas como um possível alinhamento subordinado aos interesses dos Estados Unidos.
Por fim, o Le Monde destacou o papel nefasto da desinformação e da inteligência artificial na campanha. Com 75% da população brasileira utilizando redes sociais como fonte primária de informação, o jornal francês alerta que a disseminação de conteúdos manipulados e notícias falsas sobre a saúde do presidente Lula impõe um desafio sem precedentes para a integridade do processo democrático brasileiro.
Fonte: Brasil 247

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