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O histórico de Flávio Bolsonaro e suas conexões com figuras ligadas a milícias

Levantamento detalha homenagens, indicações e emendas parlamentares do candidato Flávio Bolsonaro a figuras condenadas por crimes graves e milícias.

A trajetória política do senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL), é marcada por uma série de episódios que revelam proximidade com integrantes de milícias e organizações paramilitares. Registros da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) e investigações recentes expõem um histórico de homenagens, contratações em gabinetes e destinação de recursos públicos a personagens centrais do crime organizado fluminense.

Um dos casos mais emblemáticos envolve o ex-capitão do Bope Adriano Magalhães da Nóbrega. Em 2005, Flávio entregou pessoalmente a Medalha Tiradentes a Nóbrega dentro do Batalhão Especial Prisional (BEP), onde o policial estava detido. Posteriormente, Nóbrega foi apontado pelo Ministério Público como chefe do 'Escritório do Crime'. Além da honraria, o gabinete de Flávio na Alerj empregou a mãe e a ex-esposa do ex-capitão, em um esquema investigado por 'rachadinha'. O parlamentar admitiu, em 2020, ter feito aulas de tiro com Nóbrega.

O histórico também inclui o major Ronald Paulo Alves Pereira, condenado pelo STF em março de 2026 a 56 anos de prisão pelo planejamento dos assassinatos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes. Em 2004, Flávio concedeu uma moção de congratulações ao major, que já era investigado na época por participação em uma chacina. Mais recentemente, em 2023, o senador destinou R$ 200 mil em emendas parlamentares a um projeto solicitado por Robson Calixto Fonseca, o 'Peixe', ex-assessor de Domingos Brazão e também condenado pelo crime contra Marielle.

Além das homenagens, Flávio Bolsonaro atuou politicamente contra o avanço das investigações sobre grupos paramilitares. Entre 2007 e 2008, o então deputado discursou na Alerj contra a instalação da CPI das Milícias, argumentando que os grupos não deveriam ser 'estigmatizados' e que atuavam como agentes de proteção em comunidades. Levantamento da revista Piauí aponta que, entre 2003 e 2018, o parlamentar homenageou ao menos 23 agentes de segurança que acabaram se tornando réus ou condenados pela Justiça.

Em nota, a assessoria de Flávio Bolsonaro sustenta que as moções eram baseadas em relatórios operacionais de comandantes, que as contratações seguiam trâmites regimentais e que as emendas parlamentares são destinadas a projetos sociais sem vínculo com os solicitantes. A campanha afirma ainda que o candidato repudia grupos paramilitares e pauta sua atuação no combate à criminalidade.

Fonte: ICL Notícias

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