Política

Estratégia de Flávio Bolsonaro no debate gera crise interna e temor de 'efeito Zambelli'

A influência de Pablo Marçal na campanha de Flávio Bolsonaro provoca críticas de aliados e desgaste eleitoral após desempenho agressivo em debate contra Lula.

A atuação de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no debate presidencial do último domingo (18) contra o presidente Lula (PT) não apenas dividiu opiniões, mas acendeu um alerta vermelho entre aliados. A forte influência do influenciador Pablo Marçal, que orientou o senador durante o confronto, trouxe à tona o temor de que a campanha bolsonarista esteja repetindo erros do passado, criando uma espécie de 'nova Carla Zambelli' que pode afastar o eleitorado indeciso na reta final.

O estilo agressivo e as provocações constantes de Flávio foram alvo de críticas internas. Segundo informações divulgadas pelo jornalista Guilherme Amado, o governador eleito do Paraná, Sergio Moro, avaliou em conversas reservadas que o senador desperdiçou a chance de demonstrar preparo ao priorizar o confronto em vez de propostas. O ex-secretário de Comunicação, Fabio Wajngarten, também disparou contra a estratégia nas redes sociais: 'Não é mídia de dancinha nem de lacração. Que cada profissional da campanha foque e fique no seu quadrado. Não inventem'.

A presença de Marçal foi ostensiva. Além de orientar o senador da plateia, o influenciador repassava instruções à assessora econômica Daniella Marques durante os intervalos. A estratégia, que incluiu o senador se posicionando atrás de Lula para aparecer nas câmeras, foi vista por parte da campanha como uma forma de desestabilizar o presidente, mas pesquisas qualitativas e grupos focais indicaram que o comportamento foi interpretado por muitos eleitores como arrogante e intimidador.

Os números de repercussão digital e monitoramentos reforçam o desgaste. Dados da plataforma Palver apontaram que 69% das menções a Flávio no WhatsApp foram negativas. Já um levantamento da Ativaweb Datalab mostrou que, nas redes sociais, os vídeos da campanha de Lula somaram 65,7 milhões de visualizações, enquanto o material de Flávio alcançou 22,1 milhões. O desafio de Lula para que ambos abrissem seus sigilos bancários e telefônicos figurou entre os momentos de maior impacto favorável ao petista.

Fonte: ICL Notícias

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