Política

O modelo de vigilância de Nunes que Flávio Bolsonaro quer nacionalizar e suas graves falhas

Proposta de segurança de Flávio Bolsonaro baseia-se no Smart Sampa, programa da gestão Ricardo Nunes que expôs dados de milhares de câmeras e agentes.

Foto: Flávio Bolsonaro e Ricardo Nunes, prefeito de SP. Foto: Vittor Sales · Original e licença

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), candidato à Presidência, tem apresentado o projeto 'Smart Brasil' como um dos pilares de sua plataforma de segurança pública. A proposta, que prevê a instalação de mais de 1 milhão de câmeras e a integração de bancos de dados em todo o país, toma como referência o 'Smart Sampa', programa de vigilância da gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) em São Paulo.

No entanto, a vitrine tecnológica de Nunes enfrenta questionamentos severos após a revelação de falhas de segurança que deixaram expostos dados sensíveis. Segundo apuração do colunista Artur Rodrigues, do Uol, um repositório público continha 181 logins e senhas, além de informações de mais de 6 mil agentes de segurança. A brecha permitia acesso indevido a mais de 58 mil câmeras instaladas em locais como escolas, hospitais e vias públicas.

A exposição de dados permitia a consulta de nomes, CPFs, placas de veículos e boletins de ocorrência. Especialistas em tecnologia também apontaram que a falta de checagem adequada na interface poderia permitir a inserção indevida de registros no sistema de reconhecimento facial e de placas. Após a repercussão, a prefeitura retirou o repositório do ar e implementou a autenticação em duas etapas.

Em nota, a gestão municipal atribuiu o incidente a um 'vazamento ilegal de dados por parte de um servidor', informando que o funcionário foi identificado e afastado, com o caso sob investigação da Corregedoria da Guarda Civil Metropolitana. A prefeitura negou fragilidades estruturais no sistema, apesar das mudanças implementadas após o episódio.

Apesar das vulnerabilidades expostas, Flávio Bolsonaro mantém o modelo como inspiração para sua proposta nacional. Em debates e peças de campanha, o candidato defende a integração tecnológica como ferramenta para o combate ao crime, citando o programa paulistano como exemplo de inteligência aplicada à segurança.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

COMECE A CONVERSA

O que você acha desta notícia?

Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.

Comentários

Próxima notíciaCiência brasileira avança e coloca 1.510 pesquisadores entre os mais influentes do mundo