A estratégia de Flávio Bolsonaro: promessas populistas e acenos contraditórios ao mercado
Análise aponta que o candidato Flávio Bolsonaro tenta conciliar propostas de gastos sem lastro técnico com promessas de austeridade severa para o setor financeiro.

Foto: Flávio Bolsonaro Crédito: Carlos Moura/Agência Senado · Original e licença
O cenário eleitoral tem sido marcado por uma disputa de propostas econômicas que, segundo a colunista Míriam Leitão, do jornal O Globo, revela uma estratégia contraditória do candidato Flávio Bolsonaro (PL). Enquanto tenta capturar o eleitorado com promessas de alívio financeiro, o parlamentar mantém conversas reservadas com o mercado financeiro prometendo um rigoroso ajuste fiscal.
A proposta de Flávio Bolsonaro para o endividamento das famílias, apresentada durante debate na Band, prevê uma moratória de seis meses para pessoas físicas e de um ano para pessoas jurídicas, com refinanciamento pela Caixa Econômica Federal. A medida, contudo, carece de critérios de limite financeiro ou temporal, o que, na avaliação da colunista, torna o impacto orçamentário incalculável, considerando que o país possui 84 milhões de inadimplentes com um passivo total de R$ 592 bilhões.
O plano contrasta com a estratégia do governo federal, que desenhou um programa de quitação de dívidas com custo estimado de R$ 15 bilhões, focado em um universo de R$ 150 bilhões em débitos e exigindo abatimentos de 90% dos credores. Para Míriam Leitão, a proposta do candidato do PL é uma versão inflada e sem fundamentação técnica das iniciativas governamentais.
Simultaneamente, Flávio Bolsonaro promete ao mercado um corte de R$ 200 bilhões nas despesas públicas já no primeiro ano de mandato. O candidato sustenta que o montante viria do combate aos supersalários e da redução dos encargos da dívida pública. A colunista, porém, ressalta que a economia gerada pelo fim de privilégios salariais não alcançaria 10% do valor prometido, classificando a tese de utilizar a queda teórica de juros para financiar gastos como um contra-senso econômico.
Fonte: Brasil 247

O que você acha desta notícia?
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.