Investigado pela Ancine, segundo filme sobre Bolsonaro é apelidado de 'Dark Horse da Shopee'
Documentário 'A Colisão dos Destinos' declarou custo de apenas R$ 4,5 mil, mas recebeu R$ 1,5 milhão em verbas públicas e emendas de aliados bolsonaristas.

Foto: Reprodução · Original e licença
Um novo documentário sobre a trajetória de Jair Bolsonaro, intitulado 'A Colisão dos Destinos', entrou na mira da Agência Nacional de Cinema (Ancine) após levantar suspeitas sobre seu financiamento e exibição. A obra, que estreou em maio com salas vazias, é apontada por bastidores do setor como uma versão de baixo orçamento do polêmico filme 'Dark Horse', sendo apelidada de 'Dark Horse da Shopee'.
Segundo apuração da Agência Pública, a produtora Dori Filmes declarou à Ancine um custo de produção de apenas R$ 4,5 mil. O valor, considerado incompatível com a realização de um longa-metragem, motivou a abertura de uma diligência. Em sua defesa, a produtora alegou que o projeto foi realizado de forma voluntária, sem gastos com equipe. Contudo, entidades ligadas ao documentário e ao diretor Doriel Francisco receberam cerca de R$ 1,5 milhão em emendas parlamentares de nomes como Mario Frias, Marcos Pollon e Eduardo Bolsonaro, além de repasses do Partido Liberal.
O deputado Mario Frias aparece no relatório da Ancine como produtor executivo da obra, tendo assinado o argumento ao lado de Eduardo Bolsonaro. Além das inconsistências financeiras, a Ancine investiga a ausência de dados obrigatórios sobre o público e o número de salas que exibiram o filme. A reportagem da Pública esteve no endereço oficial da Dori Filmes, no Distrito Federal, e não encontrou qualquer estrutura empresarial, apenas casas simples em uma área rural.
O documentário também aparece em conversas de celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, investigado no caso 'Dark Horse'. Mensagens revelam que Mario Frias tentou organizar sessões privadas do filme para Vorcaro, Flávio Bolsonaro e o ex-presidente. Em um dos diálogos, o lobista Thiago Miranda afirma que os aliados queriam levar Jair Bolsonaro à casa do banqueiro para assistirem à obra juntos. A assessoria de Flávio Bolsonaro negou, na época, que o encontro tenha ocorrido.
Fonte: ICL Notícias

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