Indicado de Flávio Bolsonaro à Saúde coloca em xeque o SUS e a Constituição
Claudio Lottenberg, nome escolhido por Flávio Bolsonaro para o Ministério da Saúde, questiona o dever do Estado na garantia universal da saúde.

Foto: O médico e presidente da Confederação Israelita do Brasil, Cláudio Lottenberg e o candidato a presidência Flávio Bolsonaro. Foto: Reprodução/Jean Carniel/Reuters · Original e licença
O médico Claudio Lottenberg, anunciado pelo candidato Flávio Bolsonaro (PL) como seu futuro ministro da Saúde, gerou polêmica ao questionar publicamente o princípio constitucional que sustenta o Sistema Único de Saúde (SUS). Em um vídeo que circula nas redes sociais, o atual presidente da Confederação Israelita do Brasil (Conib) coloca em dúvida a premissa de que a saúde é um direito do cidadão e um dever do Estado.
Na gravação, Lottenberg descreve o modelo atual como "extremamente desajustado" e questiona: "Discutir a saúde enquanto direito ou discutir a saúde enquanto um bem?". O médico ainda sugeriu que a falta de autocuidado individual deveria ser um fator de penalização, deslocando a responsabilidade pública para o comportamento do paciente. A Constituição Federal, em seu artigo 196, garante a saúde como direito de todos e dever do Estado, com acesso universal e igualitário, independentemente de julgamentos morais sobre o estilo de vida do cidadão.
Além das críticas ao SUS, o histórico de Lottenberg inclui posições controversas sobre o conflito em Gaza. Em janeiro de 2024, ele assinou um manifesto que pedia ao governo brasileiro a retirada do apoio à ação da África do Sul contra Israel na Corte Internacional de Justiça. Em entrevista de julho de 2025, o médico chegou a negar a ocorrência de genocídio por parte de Israel, contrariando relatório de uma comissão independente da ONU, publicada em setembro de 2025, que identificou atos de extermínio contra palestinos.
A indicação de Lottenberg foi reforçada por Flávio Bolsonaro durante o debate da Band, realizado no último domingo (18), sob a promessa de levar o padrão do Hospital Albert Einstein para a rede pública. A postura do futuro ministro, contudo, levanta preocupações sobre a manutenção das garantias constitucionais que regem o sistema de saúde brasileiro.
Fonte: Diário do Centro do Mundo

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