Flávio Bolsonaro recorre ao STF para acessar inquérito sobre lavagem de dinheiro em apostas
O senador Flávio Bolsonaro solicitou ao ministro Alexandre de Moraes acesso a investigação da Polícia Federal que apura movimentações financeiras do advogado Willer Tomaz.

Foto: O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal. Foto: Sophia Santos/STF · Original e licença
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) acionou o Supremo Tribunal Federal (STF) nesta terça-feira (20) para obter acesso aos autos de uma investigação da Polícia Federal que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro envolvendo o advogado Willer Tomaz. O pedido foi endereçado ao ministro Alexandre de Moraes, relator do caso, que chegou à Corte devido à menção ao nome do parlamentar nos documentos colhidos pelos investigadores.
Segundo apuração do jornalista Nino Guimarães, do UOL, a investigação teve origem no Rio Grande do Sul e foca em movimentações suspeitas em sites de apostas. A Polícia Federal aponta que o advogado mantinha uma rede de contatos com figuras públicas e integrantes do Judiciário, destacando a proximidade com o senador. Em nota, a corporação registrou que a relação entre ambos merece atenção especial diante dos elementos analisados.
Um dos pontos centrais da apuração envolve registros bancários do banco Santander. A PF identificou documentos que sugeririam um acesso operacional de Flávio Bolsonaro a uma conta da Alcazar Holdings, empresa de Willer Tomaz sediada em Portugal. Embora os investigadores levantem a hipótese de uma participação societária ou econômica de fato, tanto o senador quanto o advogado negam qualquer vínculo financeiro ou societário, tratando a relação apenas como uma amizade. A assessoria de Flávio afirmou que a vinculação bancária foi indevida e que a retirada do nome já foi solicitada.
O inquérito também detalha movimentações milionárias ligadas ao advogado. Dados da Secretaria de Prêmios e Apostas do Ministério da Fazenda indicam que Willer Tomaz foi a pessoa física que mais aportou recursos em plataformas de apostas em 2025, com mais de R$ 258 milhões depositados na Foggo, proprietária da Blaze. O volume total apostado pelo advogado teria atingido cerca de R$ 5 bilhões, valor que, segundo especialistas, pode incluir a reutilização sucessiva dos mesmos recursos.
Diante das falhas na prevenção à lavagem de dinheiro identificadas, a Secretaria de Prêmios e Apostas recomendou a abertura de um processo contra a Blaze, além de avaliar a suspensão temporária das atividades da plataforma. A defesa de Willer Tomaz sustenta que todos os recursos possuem origem lícita e declarada, atribuindo o alto volume registrado à dinâmica de reapostas sucessivas.
Fonte: Diário do Centro do Mundo

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