Além da soja: o desafio de transformar a parceria Brasil-China em projeto de desenvolvimento
Artigo analisa como o Brasil pode elevar a relação comercial com a China para além da exportação de commodities, focando em tecnologia e soberania industrial.

Foto: - China em foco - gerada por IA · Original e licença
A relação entre Brasil e China, consolidada como o principal parceiro comercial do país desde 2009, atravessa um momento decisivo. Com um intercâmbio bilateral que atingiu US$ 171 bilhões em 2025 e exportações brasileiras de US$ 84,7 bilhões apenas entre janeiro e setembro de 2026, o desafio atual é superar a dependência de matérias-primas como soja, minério e petróleo.
Segundo análise publicada na Revista Fórum pela delegada Iara Vidal, o Brasil não deve se limitar a escolher lados em disputas geopolíticas, mas sim construir uma política externa voltada ao desenvolvimento nacional. A proposta é que a parceria evolua para a transferência de tecnologia, fortalecimento da indústria e cooperação científica, seguindo modelos bem-sucedidos como o programa espacial CBERS, iniciado em 1988 e com o lançamento do CBERS-6 previsto para 2028.
O governo Lula tem buscado ampliar essa cooperação em setores estratégicos como energia limpa, semicondutores e biotecnologia. Em maio de 2025, foram anunciados R$ 27 bilhões em investimentos chineses no Brasil, um passo que, se concretizado, pode impulsionar a geração de empregos e a capacidade produtiva nacional.
Historicamente, a aproximação com Pequim enfrentou resistências ideológicas, desde o contexto do golpe de 1964 até as tensões diplomáticas durante o governo Bolsonaro. No entanto, a realidade econômica demonstrou que o pragmatismo prevalece. Para o Brasil, o objetivo agora é transformar essa estabilidade comercial em soberania, utilizando a parceria para produzir conhecimento e garantir soluções para as necessidades da população brasileira.
Fonte: Revista Fórum

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