O 'Poderoso Chefão': Investigação revela como Flávio Bolsonaro controlou hospitais federais no Rio
Reportagem detalha denúncias de corrupção, sucateamento e influência política do senador Flávio Bolsonaro na rede hospitalar federal fluminense durante a pandemia.

Foto: Flávio Bolsonaro usando máscara durante a pandemia de covid-19. Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado · Original e licença
Enquanto o Brasil enfrentava o auge da pandemia de Covid-19, os seis hospitais federais do Rio de Janeiro viviam uma realidade paralela de desmonte, contratos superfaturados e influência política. Segundo apuração da Agência Pública, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atuou como o articulador central das nomeações e decisões estratégicas nessas unidades entre 2019 e 2022, transformando a rede de saúde em um reduto de interesses particulares.
O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, não poupou críticas ao descrever o cenário encontrado pela atual gestão. Em entrevista, Padilha classificou o senador como o "poderoso chefão" dos hospitais, apontando que o esquema envolvia desde a indicação de diretores até a manutenção de contratos com empresas terceirizadas que apresentavam funcionários fantasmas e custos inflados. O deputado federal Otoni de Paula (PSD-RJ) reforçou a denúncia, afirmando que a estrutura de poder e as licitações eram comandadas pelo grupo político do parlamentar.
Os dados sobre o período são alarmantes. Um relatório da CPI da Covid revelou que 30% dos leitos de UTI e clínicos da rede federal fluminense permaneceram fechados durante a crise sanitária, mesmo com a demanda crescente. Enquanto pacientes aguardavam em corredores, auditorias do Tribunal de Contas da União (TCU) e da Controladoria-Geral da União (CGU) identificaram sobrepreços milionários em licitações, como um caso de insumos vasculares com valor superdimensionado em R$ 69 milhões.
A situação era de tal descontrole que, segundo inquérito da Polícia Civil, milícias chegaram a ocupar terrenos de unidades como o Hospital Cardoso Fontes para extorquir funcionários e familiares. Em 2023, uma vistoria da Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara encontrou alas inteiras trancadas com cadeados, equipamentos parados e falta crônica de pessoal, cenário que o deputado Daniel Soranz (PSD-RJ) descreveu como uma influência nefasta e terrível para o sistema de saúde.
Diante das evidências, o governo federal iniciou um processo de reestruturação, transferindo a gestão das unidades para instituições como a Fiocruz, a Ebserh e a prefeitura do Rio. O deputado Lindbergh Farias (PT-RJ) solicitou ao Supremo Tribunal Federal a investigação de Flávio Bolsonaro, buscando apurar sua responsabilidade direta nas irregularidades. Questionado, o senador não se manifestou, enquanto ex-gestores indicados na época alegam ter seguido trâmites técnicos.
Em resumo
- Flávio Bolsonaro é apontado como o articulador político que controlou a gestão e as nomeações nos hospitais federais do Rio entre 2019 e 2022.
- Auditorias da CGU e do TCU confirmaram sobrepreços milionários em contratos de limpeza, lavanderia e insumos médicos durante a pandemia.
- Relatório da CPI da Covid constatou que 30% dos leitos da rede federal ficaram inoperantes no período, agravando a crise sanitária no estado.
- O governo federal reestruturou a gestão das unidades a partir de 2023, transferindo o controle para órgãos técnicos e aumentando a capacidade de atendimento.
Fonte: Diário do Centro do Mundo

O que você acha desta notícia?
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.