Relatos apontam que Flávio Bolsonaro ganhou Rolex de lobista da Covaxin em festa durante a pandemia
Reportagem revela que senador teria recebido relógio de luxo de diretor da Precisa Medicamentos em passeio de lancha regado a bebidas e garotas de programa.

Foto: O candidato a presidência Flávio Bolsonaro (PL). Foto: Bryan Snyder/Reuters · Original e licença
Uma reportagem publicada pela revista piauí nesta quarta-feira (21) trouxe à tona detalhes de um encontro ocorrido em 17 de julho de 2020, no auge da pandemia de Covid-19, envolvendo o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Segundo a apuração, o parlamentar teria recebido um relógio Rolex de Danilo Berndt Trento, então diretor institucional da Precisa Medicamentos, durante um passeio de lancha no Lago Paranoá, em Brasília.
O evento, que contou com a presença de garotas de programa, teria sido organizado por empresários interessados em viabilizar a venda da vacina Covaxin ao governo federal. Conforme o relato, ao final do passeio, Trento retirou o relógio do próprio pulso e o entregou ao senador. A logística da confraternização foi articulada por Raphael Barão, dono da Barão Turismo, empresa que movimentou milhões com o grupo econômico da Precisa naquele ano.
A reconstituição dos fatos baseia-se em depoimentos sob anonimato, cruzamento de dados de quebras de sigilo das CPIs da Pandemia e do Crime Organizado, além de registros de voos e rastreamento de deslocamentos. Na época, o país enfrentava uma crise sanitária severa, com milhares de mortes diárias registradas pelo consórcio de veículos de imprensa.
Meses após o episódio, em outubro de 2020, Flávio Bolsonaro intermediou uma reunião virtual entre o dono da Precisa, Francisco Maximiano, e o então presidente do BNDES, Gustavo Montezano. Embora o senador tenha admitido o pedido para que o banco ouvisse a proposta, ele negou qualquer relação comercial com o empresário. O BNDES informou que nenhum financiamento foi concretizado.
Durante a CPI da Covid, em 2021, o senador defendeu a Precisa Medicamentos, argumentando que a empresa buscava economizar recursos públicos. O contrato da Covaxin, avaliado em R$ 1,6 bilhão, acabou cancelado sem que houvesse desembolso financeiro. Flávio Bolsonaro já havia classificado como infundadas as acusações feitas por seu ex-sócio, Alexandre Santini, que também esteve presente no passeio.
Em resumo
- Senador teria recebido um Rolex de diretor da Precisa Medicamentos em 2020.
- Encontro ocorreu em lancha no Lago Paranoá com presença de garotas de programa.
- Flávio Bolsonaro intermediou reunião de lobista da Covaxin com o BNDES meses depois.
- Apuração utiliza dados de CPIs, registros de voos e depoimentos sigilosos.
Fonte: Diário do Centro do Mundo

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