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Crise sanitária nos EUA coloca em xeque a imunização global e preocupa autoridades brasileiras

O avanço do sarampo em solo americano, alimentado por políticas negacionistas, gera alerta no Brasil, que luta para preservar seu status de país livre da transmissão sustentada da doença.

O cenário epidemiológico nos Estados Unidos atravessa um momento crítico, com o registro de mais de 4,4 mil casos de sarampo e três óbitos ao longo deste ano. Especialistas apontam que a situação é agravada por uma guinada política que prioriza o negacionismo científico em detrimento de diretrizes consolidadas de saúde pública. A administração de Donald Trump implementou mudanças drásticas no calendário vacinal, reduzindo de 17 para 11 o número de imunizantes recomendados para o público infantil e determinando o fracionamento da tríplice viral, uma medida que, segundo a Sociedade Brasileira de Imunizações, carece de viabilidade técnica e respaldo científico.

Eder Gatti, diretor do Programa Nacional de Imunizações (PNI), avalia que a postura do governo americano representa um retrocesso perigoso para todo o continente. O gestor ressalta que a vacina contra o sarampo atua como uma barreira de bloqueio essencial, e que a desinformação institucionalizada tem minado a confiança da população. Enquanto os EUA enfrentam o pior surto em três décadas, o Brasil mantém o certificado de área livre de transmissão sustentada, conquistado em 2024. Contudo, a manutenção desse status exige um esforço contínuo de vigilância e bloqueio vacinal, especialmente diante dos 61 casos registrados no país este ano, majoritariamente importados.

O impacto das decisões americanas já reverbera no Brasil, mesmo sem qualquer alteração nas políticas nacionais. Juarez Cunha, diretor da SBIm, observa que a desinformação disseminada pelas redes sociais tem influenciado pais, inclusive em maternidades particulares, a recusarem vacinas fundamentais, como a da hepatite B. O especialista enfatiza que a vacinação é um pacto coletivo e que a complacência, alimentada por falsas narrativas sobre a segurança dos imunizantes, coloca em risco populações vulneráveis. O Brasil segue com taxas de cobertura vacinal preliminares de 95% na primeira dose e 80% na segunda, números que as autoridades buscam elevar para garantir a proteção da comunidade.

Em resumo: - Os Estados Unidos enfrentam um surto severo de sarampo com 4,4 mil casos confirmados após mudanças no calendário vacinal. - O Brasil mantém a certificação de país livre da transmissão sustentada, mas enfrenta o desafio de conter casos importados e combater a desinformação. - Especialistas alertam que o negacionismo americano, ao questionar a eficácia de vacinas, prejudica a adesão à imunização global e ameaça a saúde pública brasileira.

Fonte: ICL Notícias

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