Política · Justiça

PGR é acionada para investigar repasses milionários ao escritório de Flávio Bolsonaro

Deputado Rui Falcão pede apuração sobre R$ 4 milhões recebidos pelo senador de advogado que dependia de votação no Senado.

O senador e candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), tornou-se alvo de uma nova representação criminal protocolada junto à Procuradoria-Geral da República (PGR). O pedido, apresentado nesta quarta-feira (21) pelo deputado federal Rui Falcão (PT-SP), aponta suspeitas de corrupção passiva, lavagem de dinheiro e falsidade ideológica, centradas em pagamentos de R$ 4 milhões realizados pelo escritório de advocacia de Edvaldo Nilo de Almeida à banca do parlamentar.

A controvérsia gira em torno da cronologia dos repasses. O escritório de Nilo de Almeida transferiu os valores ao senador em agosto e outubro de 2025, meses antes de o advogado ser reconduzido ao Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) pelo Senado. Em 12 de novembro de 2025, Flávio Bolsonaro participou da votação que aprovou a recondução de Nilo, sem declarar impedimento, apesar de o Regimento Interno da Casa exigir tal medida em casos de interesse pessoal.

Documentos fiscais citados na representação indicam que as notas emitidas pelo escritório de Flávio Bolsonaro continham apenas a descrição genérica de "Assessoria Jurídica", sem detalhar os serviços prestados. Levantamentos apontam que, entre janeiro de 2023 e julho de 2026, a banca do senador faturou R$ 13,7 milhões, sendo os pagamentos de Nilo de Almeida os mais expressivos identificados no período.

O deputado Rui Falcão solicita à PGR a quebra dos sigilos bancário e fiscal dos envolvidos, além do rastreamento dos recursos. O pedido também requer que o caso seja analisado em conexão com uma investigação em curso no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o senador e o advogado Willer Tomaz.

Em nota, o advogado Edvaldo Nilo de Almeida afirmou que os valores referem-se a um contrato de prestação conjunta de serviços jurídicos a clientes privados, sem envolver verbas públicas. A PGR deverá agora avaliar os elementos apresentados para decidir sobre a abertura de uma investigação formal.

Em resumo

  • O deputado Rui Falcão (PT-SP) acionou a PGR contra Flávio Bolsonaro por suspeitas de corrupção e lavagem de dinheiro.
  • O escritório do senador recebeu R$ 4 milhões de um advogado que teve sua recondução ao CNMP aprovada pelo Senado em 2025.
  • A representação pede a quebra de sigilos e a apuração de possível contrapartida pelo voto do parlamentar.
  • O pedido solicita ainda a investigação de possíveis infrações constitucionais pelo exercício da advocacia durante o mandato.

Fonte: Revista Fórum

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