Desenrola 3: Governo prepara ofensiva de R$ 90 bilhões para limpar nome dos brasileiros
Com foco em dívidas de cartão e serviços, nova etapa do Desenrola busca superar marcas anteriores, enquanto especialistas alertam para a necessidade de soluções estruturais.

O governo federal articula o lançamento da terceira fase do Desenrola, programa de renegociação de dívidas que promete ser o mais robusto da série. Com uma estimativa de alcançar até R$ 90 bilhões em débitos, a nova etapa busca superar, sozinha, o volume total renegociado nas duas edições anteriores. A convocação para que instituições financeiras integrem o projeto deve ser publicada nesta quinta-feira (22).
O Desenrola 3.0 foca em dívidas de pessoas físicas e Microempreendedores Individuais (MEIs) com atrasos entre dois e quatro anos e meio, abrangendo cartões de crédito, crédito pessoal e contas de serviços básicos. A estratégia prevê que a Caixa Econômica Federal adquira essas carteiras inadimplentes com descontos que podem chegar a 90%. O governo destinou até R$ 15 bilhões para viabilizar a operação, embora a adesão dos bancos privados ainda seja uma incógnita.
A necessidade de medidas emergenciais é evidenciada pelos números alarmantes da economia. Em agosto, a inadimplência atingiu o recorde da série histórica iniciada em 2011, com 6,61% dos empréstimos de recursos livres em atraso há mais de 90 dias. Segundo dados do UBS BB, o país soma hoje 84 milhões de negativados, o que representa cerca de 51% da população adulta.
O tema ganhou contornos eleitorais após o candidato Flávio Bolsonaro (PL) propor, durante debate, um modelo de refinanciamento com carência de seis meses para pessoas físicas e um ano para empresas. A proposta foi duramente criticada pelo secretário-executivo da Fazenda, Dario Durigan, que classificou a medida como inexequível e prejudicial ao crédito. Especialistas em finanças, por sua vez, ponderam que, independentemente do modelo, o sucesso depende de educação financeira e do combate às causas estruturais do endividamento.
Em resumo
- O Desenrola 3 visa renegociar até R$ 90 bilhões em dívidas, superando o montante das duas edições anteriores.
- A inadimplência no Brasil bateu recorde em agosto, atingindo 84 milhões de brasileiros negativados.
- O governo aposta na compra de carteiras pela Caixa, enquanto a oposição propõe um modelo com carência estendida.
- Analistas alertam que programas de renegociação sem educação financeira não resolvem o problema estrutural do endividamento.
Fonte: ICL Notícias

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