Política

Debate presidencial na Globo: sociedade civil se mobiliza para checar falas em tempo real

Com a TV Globo mantendo o formato tradicional sem interrupções para correções, grupos independentes e entidades jornalísticas preparam coberturas paralelas para verificar as declarações de Lula e Flávio Bolsonaro nesta sexta-feira.

O confronto final entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o candidato Flávio Bolsonaro, agendado para esta sexta-feira, às 21h20, na TV Globo, será alvo de uma ampla operação de monitoramento independente. Enquanto a emissora optou por não realizar intervenções diretas durante a transmissão televisiva para corrigir eventuais inverdades, diversos coletivos e organizações de comunicação decidiram ocupar esse espaço com verificações simultâneas.

A resistência da emissora em adotar o fact-checking ao vivo contraria uma mobilização popular expressiva. Um abaixo-assinado digital, que ganhou tração após o debate da Band, já conta com mais de 1,1 milhão de adesões. O movimento defende que o público tem o direito de receber esclarecimentos imediatos sobre dados e estatísticas apresentados pelos presidenciáveis, evitando que a desinformação circule sem contraponto durante o evento.

Entre as iniciativas confirmadas, o ICL Notícias anunciou uma transmissão especial que funcionará como uma segunda tela para o eleitor. O economista Eduardo Moreira declarou que sua equipe de jornalistas e especialistas fará o acompanhamento minuto a minuto, confrontando as falas dos candidatos com documentos e dados oficiais. A ideia é que o espectador possa assistir ao debate na televisão enquanto consulta a checagem em tempo real pelo celular.

Simultaneamente, uma frente ampla composta pela Federação Nacional dos Jornalistas, a Rede Nacional de Combate à Desinformação e instituições acadêmicas como a Intercom, organizou uma sala virtual de verificação. A presidenta da Fenaj, Samira de Castro, argumentou que a medida é essencial para garantir que o eleitor tome sua decisão com base em fatos, criticando a dinâmica de espetacularização que, segundo a entidade, dominou o debate anterior.

A campanha de Lula também pressionou por mudanças no formato. O ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, afirmou que a equipe petista buscou diálogo com a emissora para viabilizar a checagem, argumentando que a ausência de contestação imediata favorece a disseminação de mentiras. A Globo, por sua vez, manterá o trabalho de verificação restrito aos seus canais digitais, como o projeto Fato ou Fake, sem alterar a dinâmica do programa na TV.

Em resumo: - A TV Globo não fará checagem ao vivo na televisão, limitando a verificação aos seus portais digitais. - O ICL Notícias e uma coalizão de entidades jornalísticas e acadêmicas realizarão checagens independentes em tempo real. - Mais de 1,1 milhão de pessoas assinaram petições exigindo que a emissora adote o fact-checking durante a transmissão.

Fonte: Brasil 247

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