Contas no escuro: promessas de Flávio Bolsonaro ignoram realidade fiscal e ampliam gastos
Candidato do PL promete ajuste de R$ 200 bilhões enquanto lança novas despesas, mas evita detalhar como equilibrar o orçamento sem cortar programas sociais.

Na reta final do segundo turno, o candidato do PL à Presidência, senador Flávio Bolsonaro, tem apresentado um programa econômico marcado por contradições. Enquanto promete um ajuste fiscal de R$ 200 bilhões, o parlamentar tem anunciado uma série de novas despesas e benefícios que, segundo especialistas, pressionam ainda mais o orçamento federal sem que haja uma fonte de financiamento clara.
Entre as propostas de expansão de gastos estão a recriação do Programa Emergencial de Retomada do Setor de Eventos (Perse) e a promessa de que o governo federal comprará dívidas de pessoas físicas e empresas junto aos bancos. Em declarações recentes, o candidato afirmou que pretende suspender temporariamente o pagamento dessas parcelas, mas não detalhou o custo da operação nem como negociará com as instituições financeiras.
O desafio técnico para o ajuste prometido é expressivo. Flávio Bolsonaro garantiu que não haverá cortes em benefícios previdenciários, no salário mínimo ou nos pisos constitucionais de saúde e educação. Segundo dados citados pelo jornal O Estado de S. Paulo, essas rubricas representam cerca de 80% das despesas federais, o que, na visão da economista Selene Peres Nunes, uma das autoras da Lei de Responsabilidade Fiscal, torna a meta de economia de R$ 200 bilhões matematicamente improvável sem tocar nos gastos obrigatórios.
A campanha também enfrenta questionamentos sobre a viabilidade de usar a economia com juros da dívida pública para financiar a saúde. Técnicos apontam que juros são despesas financeiras, enquanto investimentos em saúde são despesas primárias, o que impede a transferência automática de recursos entre essas categorias sob as regras fiscais vigentes. Até o momento, a equipe do candidato não apresentou um plano detalhado para contornar esses obstáculos.
No campo trabalhista, o senador também protagonizou uma mudança de postura. Após criticar o fim da escala 6x1, chamando a medida de oportunista, ele votou favoravelmente à PEC que extingue o regime no Senado. Contudo, aliados sinalizaram a empresários que o grupo político pode buscar uma revisão da proposta em 2027, possivelmente defendendo o pagamento por hora trabalhada.
Em resumo
- Flávio Bolsonaro promete ajuste de R$ 200 bilhões, mas exclui cortes em áreas que somam 80% das despesas federais.
- Novas propostas, como a compra de dívidas bancárias e a recriação do Perse, não possuem estimativas de impacto ou fontes de custeio.
- A campanha sustenta que o ajuste virá da redução de gastos administrativos, sem apresentar cronograma ou valores detalhados.
Fonte: Brasil 247

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