Política · Economia

Promessa de trem no Nordeste feita por Flávio Bolsonaro carece de viabilidade técnica

Candidato propõe ferrovia de 1.400 km entre sete capitais sem apresentar orçamento, traçado ou estudos de financiamento.

O candidato Flávio Bolsonaro (PL) lançou uma promessa de campanha ambiciosa para o Nordeste: a construção de uma ferrovia de 1.400 quilômetros conectando sete capitais da região. Batizado de “Trem do Nordeste”, o projeto, contudo, carece de qualquer detalhamento técnico, como traçado definido, orçamento oficial ou estudos de viabilidade que sustentem a execução da obra.

A proposta prevê a ligação ferroviária entre Salvador, Aracaju, Maceió, Recife, João Pessoa, Natal e Fortaleza. Apesar da magnitude, a campanha não explicou como a estrutura atravessaria áreas urbanas densas nem quais seriam os impactos de desapropriações. Questionada sobre os detalhes do projeto na última segunda-feira (19), a equipe de Flávio Bolsonaro não apresentou respostas.

A única diretriz divulgada até o momento é que o empreendimento seria financiado integralmente pela iniciativa privada, sem recursos da União. Em agosto, a coordenadora econômica da campanha, Daniella Marques, mencionou a possibilidade de parcerias público-privadas e concessões. No entanto, especialistas em infraestrutura alertam para a complexidade financeira de projetos ferroviários de passageiros.

Estimativas de mercado indicam que o custo por quilômetro de trilhos varia entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões. Com base nesses valores, a obra custaria entre R$ 28 bilhões e R$ 42 bilhões, sem contar os custos adicionais de intervenções urbanas. A especialista Isadora Cohen, sócia da ICO Consultoria, ressalta que a receita tarifária, isoladamente, é insuficiente para viabilizar investimentos dessa escala.

Em resumo

  • Flávio Bolsonaro promete ferrovia de 1.400 km ligando sete capitais nordestinas sem apresentar estudos técnicos.
  • A campanha alega que o projeto será custeado pela iniciativa privada, sem aporte de recursos públicos.
  • Estimativas apontam custo de até R$ 42 bilhões, valor que especialistas consideram difícil de sustentar apenas com tarifas.

Fonte: Diário do Centro do Mundo

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