Economia

Pequena África ganha fôlego com novos centros de cultura e memória no Rio

Projeto de requalificação urbana na zona portuária carioca recebe aporte de R$ 23 milhões para criar espaços de fomento à história e economia afro-brasileira.

A região portuária do Rio de Janeiro caminha para uma transformação profunda com o avanço do Distrito Cultural Pequena África. Em anúncio feito no dia 21 de outubro, o BNDES e a prefeitura carioca detalharam o plano que pretende integrar memória, educação e economia solidária em um dos berços da cultura negra no país. O projeto, que conta com a consultoria do Consórcio Valongo Patrimônio Vivo, estima um investimento total de R$ 23 milhões, captados através de parcerias público-privadas.

O coração da iniciativa é a implementação de três novos equipamentos culturais. A Fundação Biblioteca Nacional firmou acordo para viabilizar a futura Biblioteca Machado de Assis, um espaço que deve abrigar acervo, auditório e áreas de convivência. Já o Largo da Prainha foi o local escolhido para sediar o Conservatório da Música Preta Brasileira, uma parceria com o Instituto Cultne voltada ao registro e à formação musical. Por fim, o projeto batizado de A Fábrica, em colaboração com a Fundação Darcy Vargas, funcionará como um polo de capacitação e apoio comercial para empreendedores locais, com foco em produtos afrocentrados.

Antes das grandes obras, a Praça dos Estivadores será o ponto de partida das intervenções urbanas. Com um aporte municipal de R$ 2 milhões, o local passará por uma reforma completa, ganhando nova iluminação, mobiliário e áreas verdes, além de totens informativos que contarão a trajetória dos trabalhadores portuários e a importância histórica da região. O desenho dessas mudanças foi construído a partir de diálogos diretos com a comunidade e agentes culturais que atuam no território.

Para garantir que o projeto respeite a identidade local, o Comitê Gestor do Sítio Arqueológico Cais do Valongo impôs diretrizes rígidas. Entre elas, destaca-se a exigência de que as equipes contratadas pelo banco tenham, no mínimo, 30% de profissionais negros, além da obrigatoriedade de cursos de letramento racial para todos os envolvidos. A proposta segue o modelo de museu de território, buscando valorizar o patrimônio existente enquanto fomenta o desenvolvimento socioeconômico da população local.

Em resumo: - O Distrito Cultural Pequena África terá R$ 23 milhões em investimentos para requalificação urbana e novos centros culturais. - Serão instalados a Biblioteca Machado de Assis, o Conservatório da Música Preta Brasileira e um polo de economia solidária chamado A Fábrica. - O projeto exige cota de 30% de profissionais negros nas contratações e letramento racial para as equipes. - A Praça dos Estivadores será o primeiro espaço revitalizado, com foco em acessibilidade e memória histórica.

Fonte: Brasil 247

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