O passado que assombra: o histórico de Flávio Bolsonaro com milícias e magistrados
Registros de 2007 mostram o atual senador defendendo a legalização de milícias, enquanto episódios de ataques verbais a juízas que combatiam o crime organizado marcam sua trajetória política.

Foto: Flávio Bolsonaro - Foto: Marina Uezima / Brazil Photo Press via AFP) · Original e licença
Um vídeo resgatado dos arquivos da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) colocou novamente sob os holofotes a postura de Flávio Bolsonaro em relação aos grupos paramilitares. Em fevereiro de 2007, o então deputado estadual utilizou a tribuna para argumentar que as milícias não deveriam ser alvo de estigmatização. Na ocasião, ele sustentou que a presença de policiais em comunidades, atuando como uma força de segurança paralela, seria uma medida positiva para os moradores, chegando a declarar que pagaria pelo serviço oferecido por esses grupos armados.
A defesa de Flávio Bolsonaro não se limitou ao discurso. Naquele mesmo ano, o parlamentar posicionou-se contrariamente à instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) destinada a investigar as chamadas polícias mineiras, sugerindo, em contrapartida, que o Estado deveria buscar a regulamentação dessas organizações. Até hoje, o senador não reviu publicamente suas avaliações sobre o papel desses grupos, que se tornaram protagonistas de episódios de violência extrema no estado.
Além da proximidade ideológica com o fenômeno das milícias, o histórico do político registra embates diretos contra magistradas que atuavam no combate ao crime organizado. Em agosto de 2011, poucas horas depois da execução da juíza Patrícia Acioli, assassinada com 21 tiros por policiais militares, Flávio Bolsonaro utilizou as redes sociais para sugerir que a conduta da magistrada, ao tratar policiais em suas sessões, teria colaborado para que ela angariasse inimigos. O crime, que chocou o país, resultou na condenação de 11 agentes da PM.
Anos mais tarde, em outubro de 2015, o parlamentar voltou a se envolver em polêmicas com o Judiciário. Naquela oportunidade, ele manifestou apoio a detentos que haviam sido denunciados por cometerem agressões contra a juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza, da Vara de Execuções Penais, durante uma inspeção realizada em um presídio da Polícia Militar.
Em resumo: - Flávio Bolsonaro defendeu em 2007 a regulamentação de milícias e se opôs a investigações parlamentares sobre esses grupos. - O senador culpabilizou a juíza Patrícia Acioli por sua própria morte, horas após o assassinato da magistrada em 2011. - O parlamentar prestou solidariedade a presos acusados de agredir a juíza Daniela Barbosa Assumpção de Souza em 2015.
Fonte: Revista Fórum

O que você acha desta notícia?
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.