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O 'Plano Motosserra' de Milei vira cabo de guerra na disputa presidencial brasileira

A política econômica de Javier Milei na Argentina divide opiniões entre Flávio Bolsonaro e Lula, tornando-se um dos eixos centrais do debate eleitoral no Brasil.

A gestão ultraliberal de Javier Milei na Argentina, marcada pelo chamado 'Plano Motosserra', atravessou a fronteira e se consolidou como um dos temas centrais da eleição presidencial brasileira. Enquanto o governo argentino celebra indicadores como a queda da inflação — que recuou de 211,4% em 2023 para 31,5% em 2025 — e o crescimento de 4,4% do PIB no último ano, o custo social dessas medidas tornou-se o principal alvo de críticas da campanha de Lula (PT).

O modelo de Milei, baseado em cortes profundos de gastos, desregulamentação e redução de subsídios, apresenta um cenário de contrastes. Se por um lado o país alcançou superávit nas contas públicas, por outro, enfrenta o fechamento de mais de 32 mil empresas e uma taxa de desemprego que atingiu 7,9%, o patamar mais elevado desde 2021. Além disso, a pobreza atinge cerca de um terço da população argentina, e a desaprovação do presidente chegou a 58% em setembro, segundo dados da AtlasIntel.

No Brasil, a polarização sobre o tema é evidente. Flávio Bolsonaro (PL), que recebeu Milei em sua campanha em julho, defende o ajuste fiscal argentino como um exemplo de eficiência e redução da burocracia. Em contrapartida, a campanha de Lula tem utilizado os efeitos colaterais do modelo, como a reforma trabalhista que permite jornadas de até 12 horas, para questionar os riscos de uma política de austeridade severa para a classe trabalhadora brasileira.

Durante o primeiro debate do segundo turno, a proximidade entre o senador e o presidente argentino foi colocada em xeque. Questionado sobre a intenção de importar o modelo para o Brasil, Flávio Bolsonaro evitou uma resposta direta, limitando-se a dizer que 'governos de direita precisam corrigir problemas deixados por administrações de esquerda'.

Em resumo

  • O modelo econômico de Milei divide os candidatos brasileiros entre a defesa do ajuste fiscal e a preocupação com o impacto social.
  • Indicadores argentinos mostram queda na inflação e crescimento do PIB, mas também aumento do desemprego e fechamento de empresas.
  • A campanha de Lula critica o custo social das medidas, enquanto Flávio Bolsonaro utiliza a gestão argentina como referência para seu plano de governo.

Fonte: ICL Notícias

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