Política · Justiça

Camilo Santana acusa Flávio Bolsonaro de recuar em acordo sobre abertura de sigilos

Coordenador da campanha de Lula aponta descumprimento de compromisso por parte do PL e cobra transparência sobre investigações envolvendo o advogado Willer Tomaz.

Foto: Camilo Santana acusa descumprimento do acordo sobre os sigilos de Flávio Bolsonaro - Divulgação · Original e licença

O senador Camilo Santana (PT-CE), coordenador da campanha de Lula, denunciou que o candidato Flávio Bolsonaro (PL) descumpriu o acordo firmado para a abertura mútua de sigilos bancários, fiscais e telefônicos. Segundo o petista, a equipe do adversário apresentou documentos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que condicionam a liberação das informações a uma decisão judicial, contrariando o compromisso de transparência que havia sido estabelecido entre as partes.

Em entrevista coletiva realizada na última sexta-feira (23), Camilo afirmou que a campanha do PL não apresentou as autorizações nos moldes combinados e ainda protocolou a manifestação fora do prazo estipulado. O petista destacou que a campanha de Lula cumpriu integralmente as exigências, incluindo dados sobre cartões corporativos, registros de voos da FAB e informações de familiares. Além disso, o coordenador cobrou a inclusão de dados do advogado Willer Tomaz, figura central em investigações da Polícia Federal sobre lavagem de dinheiro e que possui vínculos financeiros com o senador.

A disputa, que teve início após um desafio feito por Lula durante o debate da Band em 18 de outubro, esbarrou na negativa do ministro André Mendonça, do TSE. O magistrado reiterou que a Justiça Eleitoral não deve atuar como árbitra de desafios políticos e que a divulgação dos dados deve ser feita de forma voluntária pelos próprios titulares. Reforçando esse entendimento, a Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) manifestou-se no sábado (24) pela extinção do processo, argumentando que o tema não possui natureza estritamente eleitoral.

Em sua defesa, a equipe de Flávio Bolsonaro sustenta que cumpriu o acordo e que a inclusão de dados de terceiros, como os de Willer Tomaz, foi devidamente tratada. Tanto o senador quanto o advogado negam a prática de qualquer irregularidade nas operações financeiras sob investigação.

Em resumo

  • Camilo Santana acusa Flávio Bolsonaro de condicionar a abertura de sigilos a ordens judiciais.
  • O impasse envolve a inclusão de dados do advogado Willer Tomaz, investigado por lavagem de dinheiro.
  • O ministro André Mendonça e a Procuradoria-Geral Eleitoral entenderam que a divulgação é voluntária e não cabe intervenção do TSE.

Fonte: Revista Fórum

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