Investigação da PF revela calote e desconfiança em filme sobre Bolsonaro financiado por banqueiro
Relatório da Polícia Federal aponta que diretor de filme sobre Jair Bolsonaro cobrou pagamentos atrasados mesmo após aporte milionário de R$ 62 milhões do dono do Banco Master.

Mesmo após receber um aporte milionário de R$ 62 milhões do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a produção do filme 'Dark Horse', que narra a trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, enfrenta graves suspeitas de irregularidades financeiras. Documentos obtidos pela Polícia Federal e revelados pelo ICL Notícias mostram que o diretor do longa, Cyrus Nowrasteh, cobrou pagamentos atrasados em julho de 2026, dez meses após o recebimento da última parcela do financiamento.
O montante, enviado entre fevereiro e setembro de 2025, é alvo de uma investigação da PF que busca determinar se o projeto cinematográfico foi utilizado como fachada para a ocultação ou desvio de recursos. Entre as hipóteses apuradas pelos investigadores, está a possibilidade de que parte do dinheiro tenha sido destinada a custear a permanência do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos, embora não haja comprovação definitiva até o momento.
A tensão financeira nos bastidores era evidente. Em áudio interceptado pela PF no celular de Vorcaro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou a pressionar o banqueiro por novos repasses, alertando para o risco de um vexame internacional. "Imagina a gente dando calote num Jim Caviezel, num Cyrus, os caras renomadíssimos", afirmou o parlamentar em setembro de 2025.
Além das cobranças do diretor, o consultor Dennis Rice também relatou pendências financeiras ao se desligar do projeto, classificando o ambiente de trabalho como insustentável. Paralelamente, a PF investiga uma discrepância contábil: enquanto a empresa GoUp Entertainment declarou gastos de R$ 54,2 milhões no exterior, os registros de câmbio no Brasil apontam a entrada de apenas R$ 14,69 milhões, o que motivou um pedido de perícia técnica.
O relatório também expõe o uso político da produção. E-mails indicam que houve negociações para exibir o filme em Mar-a-Lago, com a presença de Donald Trump, mas o evento foi cancelado por orientação atribuída a Eduardo Bolsonaro, sob a justificativa de separar o projeto da militância política.
Em resumo
- O diretor Cyrus Nowrasteh cobrou pagamentos atrasados em julho de 2026, apesar do aporte de R$ 62 milhões feito pelo banqueiro Daniel Vorcaro.
- A Polícia Federal investiga se o filme foi usado para ocultação de recursos ou financiamento irregular de atividades políticas.
- Há uma discrepância de milhões de reais entre os gastos declarados pela produtora no exterior e os valores registrados em contratos de câmbio no Brasil.
Fonte: ICL Notícias

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