Onda de violência política marca o segundo turno e deixa rastro de sangue pelo país
A reta final das eleições de 2026 foi marcada por uma série de agressões, ataques a carreatas e mortes, com denúncias de motivação política contra apoiadores de Lula.

Foto: Bolsonaristas apedrejam vereadora do PT, que fica desacordada em carreata pró-Lula — violência política - Fotos: Reprodução de vídeo · Original e licença
A vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) neste domingo (25) foi acompanhada por um cenário preocupante de violência política. Entre o último sábado e a manhã desta segunda-feira (26), diversos episódios de agressões, atropelamentos e ataques foram registrados contra apoiadores do petista em diferentes estados, deixando mortos e feridos.
Em Minas Gerais, a violência atingiu níveis críticos. Em Vargem Alegre, Elisabete Martins Chaves, de 54 anos, morreu após ser atropelada enquanto aguardava uma carreata pró-Lula. Já em Montes Claros, a vereadora Iara Pimentel (PT) foi ferida no rosto durante um ataque com pedras e garrafas contra um carro de som. A Polícia Federal instaurou inquérito para apurar o caso, que também deixou uma criança ferida.
No litoral paulista, o engenheiro ambiental Marcelo de Oliveira Rocha, de 30 anos, teve a morte encefálica confirmada após ser espancado na madrugada de sábado, em Santos, enquanto participava de um ato de apoio à reeleição. Em São Paulo capital, uma mulher foi esfaqueada no Terminal Rodoviário do Tietê por um homem que, segundo testemunhas, gritava frases de apoio a Flávio Bolsonaro.
A escalada de hostilidades também foi sentida no exterior. Em Lisboa, uma adolescente brasileira de 17 anos foi agredida com um soco no rosto após votar. O cônsul-geral do Brasil na capital portuguesa, Alessandro Candeas, confirmou o episódio e informou que as autoridades locais investigam o caso.
Embora muitos episódios tenham sido atribuídos a motivações políticas, as autoridades seguem apurando as circunstâncias. Em Bonito (MS), o Tribunal Regional Eleitoral descartou a conotação política na morte de Ewerton Rodrigues da Silva, classificando o crime como decorrente de uma briga pessoal. Em outros casos, como em Rio Verde (GO) e Florianópolis (SC), vídeos de agressões circulam nas redes sociais, mas as polícias locais ainda não apresentaram um balanço conclusivo sobre as motivações e autoria.
Os novos registros somam-se a um cenário de tensão crescente. Segundo levantamento das organizações Terra de Direitos e Justiça Global, o Brasil já havia contabilizado 134 casos de violência política apenas entre o primeiro turno e o início de outubro, superando os números de 2022.
Em resumo
- Apoiadores de Lula foram alvos de ataques em diversos estados, resultando em mortes e ferimentos graves.
- A Polícia Federal investiga ataques a carreatas, enquanto autoridades locais apuram agressões físicas e atropelamentos.
- O clima de violência política se intensificou no segundo turno, superando os índices registrados no primeiro turno da campanha.
Fonte: Revista Fórum

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