Política · Justiça

Fim da linha: Flávio Bolsonaro perde foro privilegiado e enfrenta série de investigações

Após derrota nas urnas, senador Flávio Bolsonaro deixará o cargo em 2027 e perderá a prerrogativa de foro, ficando exposto a processos na primeira instância.

Foto: Flávio Bolsonaro - Foto: Marina Uezima / Brazil Photo Press via AFP) · Original e licença

A derrota nas urnas no último domingo (25) marca não apenas o fim de um ciclo eleitoral, mas o início de um período de incertezas jurídicas para o senador Flávio Bolsonaro (PL). Com o encerramento de seu mandato previsto para o final de janeiro de 2027, o parlamentar perderá o foro privilegiado, prerrogativa que hoje garante que seus processos sejam julgados diretamente pelo Supremo Tribunal Federal (STF).

Atualmente, o senador é alvo de diversas frentes de apuração. Entre as mais sensíveis está o caso 'Dark Horse', que investiga repasses milionários do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, para o financiamento de um filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. Documentos analisados pela Polícia Federal apontam que cerca de R$ 61 milhões teriam sido movimentados entre 2025 e 2026, levantando suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Outra investigação relevante, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, apura possíveis vínculos financeiros entre Flávio, o advogado Willer Tomaz e o setor de apostas on-line. A PF busca esclarecer se o senador possuía participação societária oculta em plataformas como a BestBet, que operava sob licença estadual no Rio de Janeiro, em um esquema que envolveu a indicação de aliados para cargos estratégicos na Loterj.

Além das questões financeiras, o senador responde a um inquérito por suposta calúnia contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, aberto após publicações em redes sociais. Paralelamente, o antigo caso das 'rachadinhas' pode ganhar novos contornos. O Grupo Prerrogativas e o deputado federal Rui Falcão (PT-SP) solicitaram ao Ministério Público do Rio de Janeiro a reabertura das investigações, apresentando como fato novo a existência de um cofre bancário que teria sido utilizado pelo senador na época em que os desvios no gabinete da Alerj eram apurados.

Embora o STF tenha consolidado o entendimento de que o foro pode ser mantido para crimes cometidos durante o exercício do cargo, a perda do mandato em 2027 altera significativamente a dinâmica processual. Caso os fatos investigados não possuam vínculo direto com a função parlamentar, a tendência é que as ações sejam remetidas à primeira instância da Justiça.

Em resumo

  • Flávio Bolsonaro deixará o Senado em fevereiro de 2027, perdendo o foro privilegiado.
  • O senador é investigado por suspeitas de lavagem de dinheiro no financiamento de um filme e por conexões com o setor de apostas.
  • Há um inquérito aberto por calúnia contra o presidente Lula e pedidos para reabrir o caso das rachadinhas com base em novas provas.

Fonte: Revista Fórum

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