O susto que virou o jogo: como o PT articulou a virada histórica de Lula
Análise dos fatores estratégicos e da mobilização popular que garantiram a reeleição de Lula após o resultado adverso no primeiro turno.

Foto: O presidente Lula (PT), já reeleito, ao lado de seus aliados em São Paulo - Danilo Verpa/Folhapress - 25.out.26 · Original e licença
A vitória de Lula (PT) neste domingo (25) não foi apenas uma conquista eleitoral, mas a consolidação de uma virada inédita na história das eleições presidenciais brasileiras. Após encerrar o primeiro turno com 45% dos votos, atrás dos 47% de Flávio Bolsonaro (PL), o petista reverteu o cenário e garantiu a reeleição com 51,78% dos votos válidos, contra 48,22% do adversário.
Para lideranças petistas, o resultado adverso na primeira etapa foi o catalisador necessário para despertar o eleitorado. O temor de uma vitória bolsonarista impulsionou uma mobilização orgânica nas ruas e nas redes sociais, que, somada a uma reestruturação estratégica da campanha, foi decisiva para reduzir a abstenção de 21,08% para 19,22%.
A campanha de Lula passou por mudanças profundas após o primeiro turno. A coordenação política foi assumida pelo senador Camilo Santana (PT-CE), enquanto o governador reeleito do Piauí, Rafael Fonteles (PT), passou a influenciar a comunicação, e o senador eleito Rui Costa (PT-BA) assumiu a gestão da agenda. O discurso também mudou: o foco saiu da defesa do governo atual para a apresentação de propostas futuras e ataques diretos ao adversário.
O papel da sociedade civil e de aliados externos foi fundamental. O deputado André Janones (Rede-MG) liderou a ofensiva digital, enquanto movimentos populares organizaram atos em todo o país. Lula também adotou medidas de impacto, como o perdão de dívidas de MEIs e a promulgação da PEC que extingue a escala de trabalho 6x1.
Em seu discurso após a confirmação pelo TSE, o presidente reeleito destacou a importância da juventude e dos idosos na vitória. "Vamos fazer o povo participar mais das nossas decisões", afirmou o petista, prometendo um novo modelo de governança com maior ênfase na comunicação digital.
Em resumo
- Lula reverteu uma desvantagem de 2 pontos percentuais do primeiro turno para vencer com 51,78% dos votos.
- A campanha foi reorganizada com a entrada de nomes como Camilo Santana, Rafael Fonteles e Rui Costa.
- A redução da abstenção e a mobilização digital liderada por André Janones foram pilares da virada.
- O presidente reeleito prometeu mudanças no estilo de governar e maior participação popular.
Fonte: Folha de S.Paulo

O que você acha desta notícia?
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.