Prefeitura de SP ignorou alertas da Justiça e manteve frota de ônibus reduzida no dia da eleição
Mesmo notificada com meses de antecedência, gestão Ricardo Nunes não cumpriu determinação de operar com frota de dia útil no segundo turno.

Foto: Crédito: Reprodução/TV Globo | Prefeitura SP · Original e licença
A gestão de Ricardo Nunes (MDB) na Prefeitura de São Paulo ignorou sucessivos alertas de órgãos de controle e da Justiça Eleitoral sobre a necessidade de manter o transporte público com frequência de dia útil durante o segundo turno das eleições, realizado no último domingo (25). Apesar das notificações enviadas meses antes, a frota de ônibus que circulou pela capital paulista ficou significativamente abaixo do exigido.
Segundo apuração da Folha de S.Paulo, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP), o Ministério Público e a Defensoria Pública da União (DPU) cobraram formalmente a administração municipal, baseando-se em resoluções do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e do Supremo Tribunal Federal (STF). A falha na oferta de transporte, que gerou longas filas e esperas, foi um dos fatores que levaram à prorrogação do horário de votação e motivou a abertura de investigações pela Polícia Federal.
Um levantamento realizado pelo pesquisador Igor Novaes Lins, do Cebrap, revelou que apenas 65,8% da frota média de um dia útil circulou entre as 11h e as 19h de domingo. Enquanto em dias de semana a média chega a 10.521 veículos, no dia da votação o número não passou de 6.928. Nenhum distrito da capital atingiu a equivalência de um dia útil, com a oferta variando entre 51,1% e 83,6%.
Em nota, a Prefeitura alegou que respondeu aos ofícios e que, após uma nova comunicação do tribunal na tarde de sábado (24), a SPTrans notificou as concessionárias para operarem com 100% da frota. A empresa municipal justificou anteriormente que a reorganização das escalas de trabalho na véspera do pleito apresentava complexidade, citando o direito à folga dos motoristas.
Em resumo
- A Prefeitura de São Paulo foi notificada pelo TRE-SP, MP e DPU meses antes da eleição sobre a obrigatoriedade de frota equivalente a dia útil.
- Levantamento do Cebrap aponta que apenas 65,8% da frota circulou no domingo de votação.
- A gestão municipal afirmou ter solicitado 100% da frota após notificação recebida na véspera do pleito.
- Problemas no transporte público durante o domingo levaram à abertura de investigações pela Polícia Federal.
Fonte: Brasil 247

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