Frustrado com derrota de aliado, Netanyahu classifica Brasil como obstáculo aos seus planos
Após a reeleição de Lula, o primeiro-ministro de Israel admitiu que o Brasil trava a expansão de sua influência na América do Sul.

Foto: O candidato a presidência Flávio Bolsonaro, e Benjamin Netanyahu em encontro realizado em janeiro desse ano. Foto: Reprodução/Redes Sociais · Original e licença
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, não escondeu o descontentamento com o resultado das eleições brasileiras. Em entrevista ao Canal 14, concedida nesta segunda-feira (26), um dia após a vitória de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL), o premiê tratou a América do Sul como uma zona de expansão estratégica e apontou o Brasil como o principal entrave para seus objetivos na região.
Segundo Netanyahu, enquanto outros oito ou nove países sul-americanos já teriam se alinhado aos interesses de seu governo, o Brasil permanece como uma exceção. O premiê não detalhou quais nações compõem esse grupo, mas deixou claro que a continuidade de uma gestão petista, crítica à política israelense, frustra seus planos de consolidar uma rede de influência no continente.
A fala de Netanyahu ocorre em um momento em que ele busca ampliar os chamados 'Acordos de Isaac', uma iniciativa de cooperação política e militar que conta com o apoio de figuras como o presidente argentino Javier Milei. Durante a campanha eleitoral, Flávio Bolsonaro havia se comprometido a integrar o Brasil a esse projeto e a transferir a embaixada brasileira para Jerusalém, promessas que foram celebradas pelo governo israelense antes do pleito.
A reeleição de Lula para o seu quarto mandato mantém a política externa brasileira em rota de colisão com a agenda de Netanyahu, especialmente devido às críticas do governo brasileiro ao conflito em Gaza. Para analistas, como o historiador Vijay Prashad, o Brasil era visto como o 'maior prêmio' geopolítico na região, e a vitória de Lula consolida uma barreira importante contra o avanço da influência israelense na América Latina.
Em resumo
- Netanyahu afirmou que o Brasil é um obstáculo para a expansão da influência de Israel na América do Sul.
- O premiê declarou que outros oito ou nove países da região já estão alinhados aos seus interesses.
- A derrota de Flávio Bolsonaro frustrou a expectativa de Israel de integrar o Brasil aos 'Acordos de Isaac'.
- A reeleição de Lula preserva a postura crítica do Brasil em relação às ações de Israel em Gaza.
Fonte: Diário do Centro do Mundo

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