Política · Economia

Mercado pressiona Lula por ajuste fiscal severo antes da posse

Diretora do UBS defende cortes em áreas sociais e mudanças estruturais ainda em 2026 para evitar instabilidade econômica no quarto mandato.

Foto: Lula e Dario Durigan Crédito: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil · Original e licença

Em meio ao cenário de transição para o quarto mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o mercado financeiro intensifica a pressão por medidas de austeridade. Solange Srour, diretora de macroeconomia para o Brasil do UBS Global Wealth Management, defende que o governo apresente e tente aprovar um pacote de ajuste fiscal ainda este ano, aproveitando a atual composição do Congresso Nacional.

Segundo a economista, em entrevista ao jornal Valor Econômico, a atual base parlamentar seria mais favorável a negociações do que a legislatura que assume em 2027. Srour argumenta que a urgência se justifica pelo crescimento da dívida pública e pela necessidade de sinalizar estabilidade aos investidores, sob o risco de o dólar ultrapassar a marca de R$ 6.

As propostas defendidas pela diretora do UBS tocam em pilares centrais da política social do governo, incluindo a revisão da política de valorização do salário mínimo, mudanças na vinculação de aposentadorias e alterações nas regras constitucionais de financiamento para saúde e educação. A economista admite que a implementação dessas medidas contrariaria promessas de campanha, classificando o cenário como um possível "estelionato eleitoral" necessário para evitar uma crise mais profunda.

Para o UBS, um ajuste capaz de afastar riscos de insolvência exigiria uma economia equivalente a 4% do PIB, embora a economista reconheça a inviabilidade política de tal medida no curto prazo. Ela sugere, portanto, um programa de reformas escalonado entre cinco e dez anos, alertando que ajustes intermediários podem ser insuficientes para reduzir os juros reais e tirar o país da estagnação.

Além das pressões internas, a análise do banco aponta para riscos externos, como a trajetória dos juros nos Estados Unidos e tensões geopolíticas envolvendo o Irã, que podem impactar o preço do petróleo. O debate coloca em evidência o embate entre a agenda de contenção de gastos exigida pelo setor financeiro e os compromissos sociais reafirmados por Lula durante o processo eleitoral.

Em resumo

  • Economista do UBS sugere que Lula aprove ajuste fiscal ainda em 2026, antes da posse.
  • Propostas incluem cortes em saúde, educação e mudanças na previdência e salário mínimo.
  • UBS estima que ajuste necessário para estabilidade seria de 4% do PIB.
  • Mercado alerta para alta do dólar acima de R$ 6 caso não haja sinalização de austeridade.

Fonte: Brasil 247

COMECE A CONVERSA

O que você acha desta notícia?

Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.

Comentários

Próxima notíciaBastidores: Lula planeja renovação profunda e 'revolução' no quarto mandato