Mercado financeiro ensaia respiro após turbulência pós-eleitoral
Após o pânico na bolsa e a disparada do dólar na segunda-feira, investidores buscam acomodação nesta terça-feira enquanto cobram definições sobre a política fiscal.

Foto: Um funcionário conta notas de dólar em uma casa de câmbio 20 de março de 2019 Crédito: Mohamed Abd El Ghany/Reuters · Original e licença
O mercado financeiro brasileiro tenta encontrar um novo equilíbrio nesta terça-feira, 27 de outubro, após o forte estresse registrado no pregão anterior. Por volta das 10h10, o dólar operava em queda de 1,01%, cotado a R$ 5,34, em um movimento de correção técnica após a disparada de 8,2% observada na segunda-feira, quando a moeda encerrou o dia a R$ 5,40.
A volatilidade foi desencadeada pela reação dos investidores ao resultado das eleições presidenciais. O mercado, que trabalhava com a expectativa de uma alternância de poder, iniciou um processo de reprecificação de ativos. Na segunda-feira, a bolsa paulista sofreu um tombo de 13,88%, fechando em 176.608 pontos, com um volume financeiro de R$ 88,6 bilhões. O índice chegou a acionar o mecanismo de paralisação temporária durante o dia, atingindo o patamar mais baixo desde janeiro.
Thiago Pedroso, sócio da Criteria Investimentos, observou que o momento atual é de estabilização, mas alertou que a falta de diretrizes claras pode manter a pressão sobre o câmbio e os juros. A preocupação central dos agentes financeiros gira em torno da sustentabilidade das contas públicas. Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, explicou que o mercado está reagindo à falta de uma estratégia definida para frear o crescimento da dívida pública em relação ao PIB. Segundo ela, as projeções do IFI indicam que o endividamento pode chegar a 90% até 2030, e a ausência de medidas concretas para reverter esse cenário gera desconfiança.
A mesma avaliação foi compartilhada por analistas do banco UBS, Solange Srour e Luciano Telo. Em relatório, eles apontaram que a queda das ações e a pressão cambial são reflexos diretos da incerteza sobre a consolidação fiscal. A expectativa dos especialistas é que os ativos continuem sob pressão até que haja sinalizações mais robustas sobre o rumo da economia nos próximos anos.
Em resumo: - O dólar recuou para R$ 5,34 nesta terça-feira após a alta expressiva da véspera. - A Bolsa de Valores de São Paulo teve queda de 13,88% na segunda-feira, atingindo 176.608 pontos. - Analistas apontam que a instabilidade persiste devido à falta de um plano definido para conter o avanço da dívida pública.
Fonte: Brasil 247

O que você acha desta notícia?
Seja o primeiro a compartilhar sua opinião.