Justiça Federal investiga boicote ao transporte e violência policial no segundo turno
Ministério da Justiça apura denúncias de retenção de ônibus em cinco estados e ação violenta da PM em Santa Catarina durante o pleito.

Foto: Passageiros embarcam em ônibus lotado; denúncias de ônibus retidos marcam eleição em Salvador - Ministério da Justiça mira golpe do ônibus - Ônibus do Rio de Janeiro em 2023. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil · Original e licença
O Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP) iniciou uma ofensiva para apurar denúncias graves que marcaram o segundo turno das eleições presidenciais, realizado no último domingo (25). A pasta acompanha de perto inquéritos da Polícia Federal sobre o chamado "golpe do ônibus" — a retenção deliberada de veículos de transporte público — e exige explicações sobre uma ação policial violenta em Santa Catarina.
A Polícia Federal instaurou inquéritos para investigar se houve uma tentativa coordenada de impedir o exercício do voto através da restrição de mobilidade em São Paulo, Bahia, Alagoas, Piauí e Sergipe. Segundo o diretor de Investigação e Combate ao Crime Organizado da PF, Dennis Cali, o objetivo é esclarecer se a ocultação de meios de transporte foi uma estratégia para dificultar o acesso dos eleitores às urnas.
O caso mais crítico foi registrado em Salvador, onde fiscais do Procon encontraram 544 ônibus parados em garagens, mesmo após ordens judiciais que garantiam a circulação integral e gratuita. O Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) chegou a decretar a prisão do secretário municipal de Mobilidade, Pablo Souza, decisão revogada na segunda-feira (26). O prefeito Bruno Reis (União Brasil) negou irregularidades e atribuiu o atraso à retirada de adesivos de campanha dos veículos.
Paralelamente, o Ministério da Justiça enviou ofícios às autoridades de Santa Catarina cobrando rigor na apuração de um episódio em Florianópolis. Na noite de domingo, uma viatura da Polícia Militar Rodoviária atingiu um motociclista de 24 anos durante as comemorações da vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A PM alega que a equipe tentava abordar manobras perigosas, mas o caso será investigado pela Corregedoria e acompanhado pela Secretaria Nacional de Segurança Pública.
O balanço oficial do MJSP aponta 733 ocorrências registradas no dia da votação, resultando em 61 prisões em flagrante. A maior parte dos registros, cerca de 39,1%, refere-se a violações ou tentativas de violação do sigilo do voto.
Em resumo
- A Polícia Federal investiga a retenção de ônibus em cinco estados para dificultar o acesso de eleitores às urnas.
- O TRE-BA apura a responsabilidade pela paralisação de 544 veículos em Salvador durante o dia da votação.
- O Ministério da Justiça cobra explicações sobre a ação da PM de Santa Catarina que feriu um jovem em Florianópolis.
- O balanço final do segundo turno contabilizou 733 ocorrências e 61 prisões em todo o país.
Fonte: Revista Fórum

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