Política

Além das urnas: o desafio de governar um país sob a sombra das milícias

Análise sobre os limites da soberania popular e a influência das milícias na política brasileira após a reeleição de Lula em 2026.

Foto: - Rio de Janeiro - Foto: Valentina Borges · Original e licença

A reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva, que completa 81 anos nesta terça-feira, 27 de outubro de 2026, traz à tona um debate que vai muito além da contagem de votos. Com uma vantagem de aproximadamente 4,43 milhões de votos sobre Flávio Bolsonaro, o resultado das urnas encerrou a disputa eleitoral, mas deixou expostas as profundas fraturas de um país onde a soberania popular enfrenta obstáculos concretos em territórios dominados pelo crime organizado.

Em reflexão sobre o tema, o sociólogo José Cláudio Souza Alves, professor titular da UFRRJ e especialista em milícias na Baixada Fluminense, aponta que o problema transcende a ideia de um 'Estado paralelo'. Segundo o pesquisador, essas organizações não operam à margem das instituições, mas sim através de conexões com agentes públicos e redes econômicas que transformam a coerção em capital político. A grande questão, segundo Alves, é como a dominação se expande para a 'disputa pelas almas', onde a dependência e a busca por proteção em áreas desassistidas pelo Estado acabam por moldar a vontade política de populações vulneráveis.

O cenário brasileiro, marcado pela violência política e pela intolerância, encontra paralelos em tensões globais, como as recentes mobilizações estudantis na França. Em ambos os casos, o direito formal à participação democrática é tensionado pela presença de mecanismos de intimidação. Para os colunistas Valéria Tavares de Sant’Anna e Guilherme de Souza Sant’Anna, a democracia não se esgota na proclamação de resultados, exigindo que o debate público enfrente as condições desiguais de vida que impedem o exercício pleno da cidadania.

Em resumo

  • Lula foi reeleito em 2026 com uma vantagem de cerca de 4,43 milhões de votos sobre Flávio Bolsonaro.
  • O sociólogo José Cláudio Souza Alves alerta que milícias utilizam a desproteção social para converter controle territorial em influência eleitoral.
  • A análise destaca que a soberania popular é limitada quando a sobrevivência cotidiana e a segurança das populações dependem de estruturas de poder coercitivas.

Fonte: Revista Fórum

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