Alcolumbre negocia perdão a Bolsonaro para tentar manter comando do Senado
Presidente do Senado articula estratégia para conquistar votos da direita na eleição da Casa, oferecendo em troca a possibilidade de indulto ou anistia ao ex-presidente Jair Bolsonaro, preso desde 2025.

Foto: Presidente Lula se encontrou com os presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e da Câmara, Hugo Motta, no Palácio da Alvorada. - Ricardo Stuckert -26.out.26/Divulgação Presidência da República · Original e licença
O senador Davi Alcolumbre, atual presidente do Senado, desenha uma estratégia política para garantir sua permanência no cargo por mais dois anos. Segundo relatos de aliados, o parlamentar pretende utilizar a promessa de um indulto ou de uma anistia para Jair Bolsonaro como moeda de troca para atrair o apoio da bancada de direita, que terá grande influência na próxima legislatura. O objetivo central seria pacificar a relação com a oposição e, consequentemente, desmobilizar as investidas pelo impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal.
Bolsonaro encontra-se detido desde agosto de 2025, após condenação por sua participação em uma tentativa de golpe de Estado. Alcolumbre teria sinalizado a interlocutores que planeja buscar um entendimento com o presidente Lula para viabilizar um indulto humanitário. Caso o governo federal se recuse a conceder o perdão, o senador estaria disposto a articular a aprovação de um projeto de anistia dentro do próprio Congresso Nacional.
A manobra também leva em conta a necessidade de conter o desgaste político. O plano de Alcolumbre envolve a tentativa de convencer o Supremo a validar a constitucionalidade de uma lei aprovada anteriormente pelo Legislativo, que reduzia penas de envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023. Atualmente, essa norma está suspensa por determinação do ministro Alexandre de Moraes. A ideia é que, ao apaziguar os ânimos com essa medida, o senador consiga desviar o foco da oposição, que hoje pressiona pelo afastamento de magistrados da Corte.
Para evitar que o perdão resulte no retorno de Bolsonaro à vida pública, o grupo de Alcolumbre estuda desenhar um texto que limite os efeitos da anistia estritamente à esfera penal, mantendo a inelegibilidade do ex-presidente, que se estende até 2060. O senador enfrenta uma disputa acirrada contra nomes como Rogério Marinho e Tereza Cristina, e aposta na fragmentação da oposição e em acordos de bastidores para superar a força do PL, que deterá a maior bancada da Casa.
Em resumo: - Alcolumbre busca apoio da direita para sua reeleição no Senado oferecendo perdão a Bolsonaro. - O plano visa encerrar a pressão parlamentar pelo impeachment de ministros do STF. - O senador pretende negociar um indulto humanitário com Lula ou aprovar uma anistia via Congresso. - A estratégia inclui manter a inelegibilidade de Bolsonaro, focando o perdão apenas na pena de prisão.
Fonte: Folha de S.Paulo

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