PT quer criminalizar perseguição política e listas de boicote a eleitores
Bancada petista na Câmara apresenta projeto de lei para punir com até seis anos de prisão a discriminação por convicção política no ambiente de trabalho.

Foto: Pedro Uczai Crédito: Kayo Magalhães/Agência Câmara · Original e licença
A bancada do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara dos Deputados apresentou o Projeto de Lei 5.689/2026, que busca tipificar como crime a discriminação por voto ou convicção política no mercado de trabalho e em atividades econômicas. A iniciativa, liderada pelo deputado Pedro Uczai (PT-SC), surge como resposta à proliferação de listas de boicote e perseguições profissionais registradas após o segundo turno das eleições de 2026.
O texto propõe penas de dois a cinco anos de reclusão para quem organizar, divulgar ou utilizar cadastros de pessoas identificadas por suas preferências eleitorais com o intuito de promover demissões, impedir contratações ou boicotar estabelecimentos. Caso o crime seja cometido por meio de redes sociais ou aplicativos de mensagens, a punição pode chegar a seis anos de prisão, além de multa.
A proposta também altera a Lei nº 9.029/1995 para vedar expressamente qualquer restrição ao acesso ou manutenção de emprego baseada em filiação partidária ou escolha política. O projeto estabelece agravantes para casos de ações coordenadas, uso de cargo público ou quando a prática resultar em prejuízos financeiros diretos às vítimas, como a perda de renda ou clientela.
A justificativa da bancada aponta que o Ministério Público do Trabalho (MPT) contabilizou 1.937 denúncias de assédio eleitoral até o dia seguinte ao pleito de 2026. Os parlamentares argumentam que a legislação atual é insuficiente para coibir essas retaliações, citando dificuldades históricas do Judiciário em enquadrar o assédio político como crime específico, mesmo diante de casos de perseguição econômica.
Em resumo
- O PL 5.689/2026 criminaliza a discriminação por voto e a criação de listas de boicote político.
- A pena prevista varia de dois a seis anos de reclusão, dependendo do meio de divulgação.
- O MPT registrou quase 2 mil denúncias de assédio eleitoral após o segundo turno de 2026.
- A proposta visa preencher lacunas na legislação trabalhista e penal contra perseguições ideológicas.
Fonte: Brasil 247

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