Política · Justiça

Violência eleitoral contra povos originários deixa cinco mortos e gera alerta nacional

Levantamento da Apib revela 38 episódios de ataques contra comunidades indígenas durante as eleições de 2026, com investigações em curso sobre ameaças de envenenamento e homicídios.

Foto: Indígenas participam de manifestação em Brasília; levantamento da Apib aponta 38 casos de violência política contra povos originários durante o período eleitoral de 2026 Crédito: Povo Guarani-Kaiowá · Original e licença

O período eleitoral de 2026 foi marcado por uma onda de hostilidades contra os povos originários, conforme aponta um relatório da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). Entre julho e outubro, a entidade mapeou 38 episódios de violência que vitimaram 30 povos em 35 territórios espalhados por 15 estados. O balanço inclui cinco assassinatos e uma série de violações que, segundo a organização, foram impulsionadas pelo uso de pautas anti-indígenas como estratégia de campanha.

O levantamento detalha um cenário de insegurança persistente, contabilizando três dezenas e meia de episódios de racismo, quase duas dezenas de ataques físicos, mais de dez ameaças fatais e sete casos de violência de gênero. O coordenador jurídico da Apib, Ricardo Terena, declarou que a retórica de certos candidatos serviu como combustível para o agravamento das tensões, transformando direitos territoriais em alvo de disputa política. A entidade já solicitou ao governo federal medidas emergenciais para garantir a integridade das comunidades.

Mato Grosso do Sul tornou-se um dos pontos mais críticos, com denúncias graves que incluem o possível envenenamento de fontes de água na Aldeia Sassoró, em Tacuru. O Ministério Público Federal (MPF) interveio no caso, exigindo que a prefeitura local identifique os responsáveis por áudios que circulavam em aplicativos de mensagens com ameaças aos moradores. Além disso, o órgão abriu apurações sobre supostos homicídios na região de Naviraí, embora tenha esclarecido que um caso específico de violência na área foi motivado por questões interpessoais e não por viés político.

A mobilização chegou ao Congresso Nacional, onde as deputadas Sônia Guajajara e Célia Xakriabá protocolaram pedidos de providências junto ao Ministério da Justiça, ao Ministério dos Povos Indígenas e ao Tribunal Superior Eleitoral. Enquanto isso, a Secretaria de Segurança Pública de Mato Grosso do Sul refutou alegações de genocídio, sustentando que suas forças de segurança trabalham para manter a ordem e prevenir conflitos rurais.

Em resumo: - A Apib registrou 38 ataques contra indígenas entre julho e outubro de 2026, resultando em cinco mortes. - O MPF investiga ameaças de contaminação de água em Tacuru e supostos homicídios políticos em Naviraí. - Parlamentares acionaram órgãos federais e o TSE para exigir proteção urgente às comunidades sob risco.

Fonte: Brasil 247

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