Política · Justiça

Desgaste de Flávio Bolsonaro abre caminho para Tarcísio na caserna

A saída de Flávio Bolsonaro do Brasil após a derrota eleitoral de 2026 gera revolta entre militares e impulsiona o nome de Tarcísio de Freitas para 2030.

Foto: Flávio Bolsonaro e Tarcísio de Freitas Crédito: Flávio Bolsonaro -Mateus Bonomi/Reuters – Tarcísio de Freitas – Lula Marques/Agência Brasil / IA-Dall-E · Original e licença

A decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de deixar o Brasil rumo aos Estados Unidos logo após sua derrota nas eleições presidenciais de 2026 gerou um profundo mal-estar nas Forças Armadas. Segundo apuração da Folha de S.Paulo, a atitude é vista por oficiais da ativa e da reserva como um ato de deslealdade com o eleitorado, acelerando o distanciamento da caserna em relação ao clã Bolsonaro e fortalecendo o nome do governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), para a disputa de 2030.

Para muitos militares, a fuga de Flávio, que partiu sem reconhecer o resultado das urnas, assemelha-se ao comportamento de um comandante que abandona seus subordinados em meio ao conflito. A avaliação interna é de que o episódio feriu valores caros à instituição, como honra e gratidão. Um ex-comandante resumiu o novo sentimento que ganha força entre os oficiais: “Menos Bolsonaro, mais Tarcísio”.

Tarcísio de Freitas, que já admitiu considerar uma candidatura ao Planalto ao final de seu segundo mandato, é visto como um nome mais técnico e alinhado à tradição militar. Diferente de Jair Bolsonaro, cuja trajetória no Exército foi marcada por controvérsias, Tarcísio construiu uma carreira sólida, com formação na AMAN e no IME, além de experiência internacional em missões de paz. Essa bagagem, somada à sua gestão em São Paulo, o coloca em posição de vantagem para liderar o campo conservador.

O cenário de transição é agravado pela tensão constante com o Supremo Tribunal Federal (STF) devido aos processos da trama golpista. Com 21 militares condenados no processo principal, a caserna vive um momento de reflexão sobre sua participação na política partidária. Enquanto a ala radical ainda mantém fidelidade aos Bolsonaro, a tendência observada é de que a maior parte da oficialidade busque em Tarcísio um projeto de direita mais pragmático e institucional.

Em resumo

  • A saída de Flávio Bolsonaro para o exterior após a derrota eleitoral foi interpretada por militares como um abandono de seus apoiadores.
  • Tarcísio de Freitas ganha força como alternativa presidencial para 2030 devido à sua formação técnica e perfil moderado.
  • O descontentamento com as condenações de militares pelo STF no caso da trama golpista mantém a caserna em estado de alerta político.

Fonte: Brasil 247

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