Justiça · Segurança

Operação da PF revela esquema milionário de pagamentos paralelos no TCE de Mato Grosso

Investigação aponta que conselheiros do Tribunal de Contas de Mato Grosso teriam recebido R$ 48,5 milhões por fora da folha oficial em 2025.

Foto: O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT), Sérgio Ricardo de Almeida, preso na quinta-feira (29).(Foto: Tony Ribeiro/Divulgação TCE-MT) · Original e licença

A Polícia Federal deflagrou a Operação Tomada de Contas, que revelou um esquema de pagamentos irregulares a todos os sete conselheiros do Tribunal de Contas do Estado de Mato Grosso (TCE-MT). Segundo o inquérito, entre janeiro e outubro de 2025, os integrantes da corte teriam recebido R$ 48,5 milhões por meio de ordens bancárias avulsas e pagamentos a fornecedores, valores que destoam drasticamente dos R$ 2,2 milhões registrados oficialmente no Portal da Transparência no mesmo período.

O presidente do tribunal, Sérgio Ricardo de Almeida, teve a prisão preventiva decretada. Além dele, o ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), determinou o afastamento dos conselheiros Guilherme Maluf, José Carlos Novelli e do procurador de contas Alisson de Carvalho Alencar. Os valores recebidos por esses agentes variaram entre R$ 8,1 milhões e R$ 15,4 milhões, conforme os dados levantados pelos investigadores.

Outros três conselheiros que permanecem no cargo — Waldir Teis, Gonçalo Domingos de Campos Neto e Antônio Joaquim Moraes Rodrigues Neto — também foram identificados na folha paralela, embora não tenham sido alvos de medidas cautelares imediatas. O Ministério Público Federal, contudo, já solicitou a quebra de sigilo bancário desses membros para aprofundar a apuração sobre a origem e a destinação dos recursos.

A defesa de Sérgio Ricardo classificou a prisão como ilegal, argumentando que a medida não possui amparo em elementos concretos e que o próprio Ministério Público Federal teria se manifestado contra a privação de liberdade. O TCE-MT, por sua vez, informou que colaborará com as determinações judiciais e que as atividades institucionais seguem em curso.

A investigação teve origem em uma denúncia anônima sobre um possível esquema de devolução de valores por parte de fornecedores do tribunal. A PF também apura o uso de emendas parlamentares da Assembleia Legislativa, registradas sob rubricas genéricas, que teriam sido direcionadas a empresas contratadas pelo órgão. A corporação investiga crimes de lavagem de dinheiro, organização criminosa e delitos contra a administração pública.

Em resumo

  • A PF aponta que os sete conselheiros do TCE-MT receberam R$ 48,5 milhões em pagamentos paralelos em 2025.
  • O presidente do tribunal, Sérgio Ricardo de Almeida, foi preso, e outros três membros foram afastados pelo STJ.
  • A investigação apura o uso de emendas parlamentares e pagamentos a fornecedores para mascarar o desvio de verbas.
  • O MPF pediu a quebra de sigilo bancário dos conselheiros que não foram afastados inicialmente.

Fonte: ICL Notícias

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