O labirinto político: as chances reais de um novo impeachment contra Trump
Após as eleições legislativas, o debate sobre um possível terceiro processo de impeachment contra Donald Trump ganha força, mas esbarra em barreiras constitucionais e na aritmética do Senado americano.

Foto: Trump Crédito: REUTERS/Umit Bektas · Original e licença
As eleições legislativas desta terça-feira, dia 3 de novembro, trazem à tona o debate sobre a governabilidade de Donald Trump. Caso os democratas garantam o controle da Câmara dos Representantes, a oposição ganha o poder de formalizar novas acusações contra o presidente. Contudo, analistas políticos ponderam que a abertura de um processo de impeachment está longe de significar a saída do republicano da Casa Branca, dado o rigoroso rito exigido pela Constituição dos Estados Unidos.
O sistema norte-americano separa a acusação do julgamento. Enquanto a Câmara pode instaurar o processo com maioria simples, a condenação definitiva depende do Senado. O professor Carlos Gustavo Poggio, do Berea College, observa que a exigência de dois terços dos votos no Senado é um patamar historicamente inalcançável, tornando a destituição um cenário improvável. Na mesma linha, o cientista político Maurício Santoro, da Uerj, argumenta que, sem um apoio expressivo de parlamentares republicanos, qualquer tentativa de afastamento seria barrada, exigindo um escândalo de proporções gigantescas para alterar essa dinâmica.
O histórico de Trump é singular, sendo o único presidente a enfrentar dois processos de impeachment em um único mandato. Entre 2019 e 2021, ele foi acusado de abuso de poder e incitação à insurreição, mas em ambas as ocasiões o Senado o absolveu. A história dos Estados Unidos mostra que, embora Andrew Johnson e Bill Clinton também tenham sido processados, nenhum presidente foi efetivamente removido do cargo por essa via. Richard Nixon, por sua vez, optou pela renúncia em 1974 ao perceber que perderia o apoio necessário para se manter no poder.
Mesmo que o impeachment não resulte em destituição, uma vitória democrata nas urnas mudaria o cotidiano de Washington. O controle das comissões parlamentares daria à oposição ferramentas para ampliar investigações, fiscalizar com lupa as ações do Executivo e travar pautas prioritárias de Trump. O resultado das urnas, portanto, define mais o nível de desgaste e a capacidade de manobra do governo do que uma mudança imediata na ocupação da presidência.
Em resumo: - A Câmara pode abrir o processo com maioria simples, mas a destituição exige dois terços dos votos no Senado. - Trump foi o primeiro presidente a enfrentar dois impeachments, sendo absolvido em ambos pelo Senado. - Uma maioria democrata no Congresso permitiria maior fiscalização e investigação, mas não garante o afastamento do presidente.
Fonte: Brasil 247

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