O mistério da fuga milionária: as lacunas na saída de Flávio Bolsonaro do Brasil
Investigações apuram como o senador Flávio Bolsonaro deixou o país rumo aos EUA após a derrota eleitoral, envolvendo rotas clandestinas e custos milionários.

Foto: Marco Rubio (Foto: Andrew Caballero-Reynolds / AFP) · Original e licença
Uma semana após a saída do Brasil rumo aos Estados Unidos, a fuga do senador Flávio Bolsonaro (PL) permanece envolta em mistério. Acompanhado da esposa, Fernanda, e das duas filhas, o parlamentar deixou o país em uma operação que, segundo estimativas de bastidores, pode ter custado mais de R$ 2 milhões. Até o momento, não há clareza sobre quem financiou o deslocamento, a logística utilizada ou quem foram os responsáveis por articular a saída.
Embora a Polícia Federal tenha solicitado a retenção dos passaportes de Flávio em 25 de outubro — logo após a confirmação da derrota eleitoral —, indícios apontam que o plano de fuga já estava em curso. Interlocutores indicam que o senador, com o apoio do irmão Eduardo Bolsonaro e do advogado Frederick Wassef, articulava a saída do território nacional há semanas.
A trajetória do senador é alvo de investigações tanto no Brasil quanto na Argentina. O único trecho com registro oficial confirmado ocorreu na noite de 27 de outubro, quando Flávio cruzou a Ponte Internacional Tancredo Neves, entre Foz do Iguaçu e Puerto Iguazú. De lá, a família embarcou em um jato Gulfstream G400, operado pela empresa Baires Fly, com destino a Miami. O custo apenas deste trecho internacional foi de cerca de R$ 800 mil, pagos por um intermediário ainda não identificado.
O caso apresenta contradições graves nos registros migratórios argentinos. O sistema local chegou a registrar três entradas de Flávio na mesma noite, utilizando documentos distintos — passaporte italiano, carteira de motorista e passaporte brasileiro —, sendo que os dois últimos foram posteriormente cancelados. Além disso, a presença de Menachem Booky Halevy, apontado como ex-agente do Mossad, em uma van que cruzou a fronteira momentos antes do grupo, adiciona uma camada de complexidade à investigação.
Em relação à entrada nos Estados Unidos, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, negou participação direta de Washington, afirmando que a autorização foi concedida via 'parole' até 2027. Contudo, a entrada foi associada a um passaporte diplomático que já havia sido cancelado pela Justiça brasileira, levantando dúvidas sobre o conhecimento das autoridades americanas acerca da situação jurídica do senador.
Em resumo
- Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após a derrota eleitoral, com custos estimados em R$ 2 milhões.
- A PF investiga a rota, que incluiu uma passagem pela Argentina com registros migratórios contraditórios.
- O fretamento do jato internacional custou US$ 150 mil, pagos por um intermediário desconhecido.
- A presença de um ex-agente do Mossad na fronteira e o uso de passaporte cancelado são pontos centrais da apuração.
Fonte: ICL Notícias

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