Clima esquenta na oposição: ataques a Tereza Cristina geram mal-estar no PP
Tensões entre PP e PL marcam a disputa pela presidência do Senado, com pressão de bolsonaristas contra a candidatura da senadora Tereza Cristina.

Foto: Os senadores Tereza Cristina, Rogério Marinho e Ciro Nogueira, que preside o PP, conversam no plenário - Jefferson Rudy -13.jul.24/Agência Senado · Original e licença
A corrida pela presidência do Senado, marcada para o dia 1º de fevereiro, enfrenta turbulências internas na oposição. O lançamento da candidatura de Rogério Marinho (PL-RN), oficializado nesta quarta-feira (4), foi acompanhado por uma onda de ataques virtuais e banners contra a senadora Tereza Cristina (PP-MS), o que gerou forte irritação entre parlamentares do Progressistas.
Embora exista um acordo prévio entre Marinho e Tereza Cristina para que a oposição apresente um nome único contra a reeleição de Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), a definição de quem encabeçará a chapa permanece em aberto. A estratégia prevê que, em janeiro, o nome com menor viabilidade retire sua candidatura em favor do outro. Contudo, a pressão de bolsonaristas para que a ex-ministra desista imediatamente da disputa tem causado desconforto, com críticas que chegam a cobrar que ela pare de atrapalhar o campo oposicionista.
Segundo congressistas do PP, a postura agressiva de parte da base aliada de Marinho não deve provocar uma mudança imediata de votos em favor de Alcolumbre. No entanto, o partido, que terá seis votos decisivos na próxima legislatura, sinaliza que, caso os ataques persistam, a negociação com o atual presidente do Senado pode ser reaberta. Atualmente, a bancada do PP está dividida: dois votos são considerados favoráveis a Alcolumbre, dois à oposição e dois permanecem indecisos.
Enquanto o PL busca consolidar sua candidatura com o apoio do Novo, o PP deve boicotar o ato de lançamento de Marinho. O líder do PL no Senado, Carlos Portinho (RJ), minimizou o atrito, classificando a candidatura de Tereza como legítima e apostando em uma composição final. Paralelamente, na Câmara dos Deputados, o cenário é de ampla vantagem para Hugo Motta (Republicanos-PB), que já reúne o apoio de 361 parlamentares, incluindo legendas de centro e esquerda, dificultando as pretensões do PL de emplacar um nome próprio.
Em resumo
- O lançamento da candidatura de Rogério Marinho ao Senado gerou atrito com o PP devido a ataques contra Tereza Cristina.
- Existe um acordo para candidatura única da oposição, mas a definição do nome ainda é alvo de disputa interna.
- O PP, com seis votos, mantém postura de cautela e não descarta negociar com Davi Alcolumbre caso a pressão continue.
- Na Câmara, Hugo Motta consolidou apoio de 361 deputados, isolando as pretensões do PL para a presidência da Casa.
Fonte: Folha de S.Paulo

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