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Colapso do Ueno Bank paralisa Paraguai e derruba cúpula do Banco Central

Intervenção no maior banco digital do Paraguai trava recursos públicos, provoca renúncia de autoridade monetária e leva multidões às ruas de Assunção.

O Paraguai enfrenta uma grave crise financeira e institucional após a intervenção do Banco Central no Ueno Bank, o maior banco digital do país. A medida, deflagrada após inspeções revelarem que a instituição operava com menos da metade do capital mínimo exigido, resultou na suspensão imediata de todos os serviços e no fechamento das agências na noite de 3 de novembro.

O impacto do colapso é profundo, atingindo cerca de 3 milhões de clientes, o que equivale a 60% da população adulta paraguaia. Além do transtorno aos correntistas, o caso envolve cifras bilionárias de recursos públicos. Estima-se que o banco administrasse entre US$ 800 e US$ 850 milhões do Estado, incluindo verbas do fundo de pensão e do seguro de saúde do IPS, além de valores da companhia de energia ANDE.

O escândalo respingou diretamente no governo de Santiago Peña. O presidente paraguaio foi sócio do Grupo Vázquez, controlador do banco, até março de 2025. Investigações preliminares apontam que a instituição utilizava depósitos governamentais para conceder empréstimos às empresas de seus próprios donos. Diante da pressão, o presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, anunciou sua renúncia, enquanto o presidente do Ueno Bank se entregou às autoridades policiais.

Em Assunção, a revolta popular tomou as ruas. Manifestantes cercaram a sede do banco exigindo o impeachment de Peña, motivados pela suspeita de favorecimento político e pelo bloqueio do dinheiro público. Para conter o pânico, o Banco Central afirmou que o sistema financeiro está protegido e garantiu o ressarcimento de depósitos de até 228 milhões de guaranis por cliente.

Em resumo

  • O Ueno Bank teve intervenção decretada por insuficiência de capital, deixando milhões de clientes sem acesso a recursos.
  • O banco detinha até US$ 850 milhões em verbas públicas, incluindo fundos de pensão e saúde.
  • O presidente do Banco Central renunciou ao cargo e o comando do banco se entregou à polícia.
  • Protestos em Assunção pedem o impeachment do presidente Santiago Peña, devido aos laços entre o governo e a instituição.

Fonte: Brasil 247

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