Crise bancária derruba Santiago Peña: Presidente do Paraguai renuncia ao cargo
O presidente paraguaio Santiago Peña deixa o poder após intervenção no Ueno Bank e pressão do Congresso por impeachment devido a denúncias de conflito de interesses.

Foto: Santiago Peña, presidente do Paraguai que renunciou nesta quinta (5). Foto: Reprodução · Original e licença
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira (5) sua renúncia à presidência. A decisão ocorre em meio a uma grave crise política e financeira deflagrada pela intervenção do Banco Central paraguaio no Ueno Bank, a maior instituição privada do país. A medida resultou no bloqueio das contas de cerca de 3 milhões de cidadãos, o que corresponde a quase metade da população paraguaia.
A instabilidade culminou na abertura de uma sessão no Congresso para debater o impeachment de Peña. Parlamentares da oposição, como a deputada Rocío Vallejo, acusaram o mandatário de ser o responsável por um "monstro" regulatório que prejudicou milhões de pessoas. O pedido de afastamento aponta indícios de conflito de interesses, manipulação de normas financeiras e suspeitas de enriquecimento ilícito, além de irregularidades na gestão de fundos de aposentadoria.
Economista de 47 anos, Peña foi sócio do grupo proprietário do Ueno até março de 2025. Sua trajetória política inclui a passagem pelo Ministério da Fazenda entre 2015 e 2017 e uma forte guinada ideológica durante seu mandato, iniciado em 2023. O governo de Peña notabilizou-se pelo alinhamento estreito com a gestão de Donald Trump nos Estados Unidos e com o bolsonarismo no Brasil.
Diante da renúncia, o vice-presidente Pedro Alliana é o sucessor constitucional para assumir o comando do país. Em suas redes sociais, Peña afirmou que os responsáveis por irregularidades devem responder perante a Justiça e pediu que as forças políticas priorizem a proteção dos poupadores afetados pela crise bancária.
Em resumo
- Santiago Peña renunciou à presidência do Paraguai após intervenção no Ueno Bank.
- A crise financeira bloqueou contas de 3 milhões de pessoas e gerou um processo de impeachment no Congresso.
- O ex-presidente é acusado de conflito de interesses e manipulação regulatória em favor da instituição financeira.
- O vice-presidente Pedro Alliana deve assumir o cargo de chefe de Estado.
Fonte: Diário do Centro do Mundo

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