Decisão de Nunes Marques no TSE libera algoritmos para aliados de Bolsonaro na reta final
Presidente do TSE flexibiliza regras de redes sociais para candidatos já eleitos, medida que beneficia campanha de Flávio Bolsonaro e gera críticas de especialistas.

Foto: Flávio Bolsonaro e Kassio Nunes Marques Crédito: Geraldo Magela/Agência Senado | Sophia Santos/STF · Original e licença
O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Kassio Nunes Marques, enviou um ofício às empresas de tecnologia na última sexta-feira (9) autorizando a recomendação algorítmica de perfis e postagens de candidatos que já garantiram a vitória no primeiro turno. A medida, revelada pela Folha de S.Paulo, altera a interpretação da norma vigente e gera impacto direto na disputa presidencial entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT).
Até então, a resolução de propaganda do tribunal, editada em março, proibia que plataformas de redes sociais recomendassem canais ou publicações de qualquer candidato cadastrado na Justiça Eleitoral. O objetivo era limitar o alcance orgânico, forçando o uso de impulsionamento pago. Com a nova orientação de Nunes Marques, a restrição passa a valer exclusivamente para os perfis dos candidatos que permanecem na disputa do segundo turno.
A decisão atende a um pedido de parlamentares bolsonaristas, como o senador eleito Gustavo Gayer (PL-GO). Na prática, a mudança favorece a campanha de Flávio Bolsonaro, uma vez que figuras de destaque do PL, como Nikolas Ferreira e Michelle Bolsonaro, agora podem ter seus conteúdos impulsionados organicamente pelos algoritmos das redes sociais, ampliando o alcance de suas mensagens sem custos adicionais.
Especialistas apontam que a medida beneficia o campo da direita, que detém a maior parte dos perfis com alta influência digital. Segundo estudo da empresa Zeeng, o PL domina 40% dos 100 perfis políticos com melhor desempenho no Instagram no primeiro semestre de 2026. Enquanto isso, o perfil do presidente Lula, por estar no segundo turno, permanece sob as restrições originais da corte.
A decisão foi alvo de críticas no meio jurídico. A professora de direito eleitoral do IDP, Marilda Silveira, questionou a competência do ministro para alterar a norma individualmente, argumentando que a definição deveria caber ao plenário do TSE. Silveira alertou para os riscos de mudanças nas regras durante o pleito: “Ao tomar uma decisão para um processo eleitoral que já está acontecendo, você sabe a quem você está beneficiando e prejudicando”.
Fonte: Brasil 247

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