Brasil

Itamaraty rompe barreira histórica com posse de primeiros diplomatas indígenas e quilombolas

Em evento histórico no Palácio Itamaraty, três novos diplomatas marcam a democratização do serviço exterior brasileiro, fruto da nova legislação de cotas.

Foto: - Pela primeira vez, indígenas e quilombolas tomam posse como diplomatas no Itamaraty. Foto: André Guajajara/Ministério dos Povos Indígenas · Original e licença

O Palácio Itamaraty viveu um momento histórico nesta quarta-feira (4). Pela primeira vez em seus 184 anos de existência, a instituição empossou diplomatas indígenas e quilombolas. Marcelo Kariri Menezes, Idjahure Terena e Helen Jaine Gomes Borgens ingressaram oficialmente como terceiros-secretários, integrando a turma 2026-2028 do Instituto Rio Branco.

A conquista é resultado direto da Lei nº 15.142/2025, que ampliou as cotas no serviço público federal para 30% e estabeleceu, de forma inédita, reserva de vagas para esses grupos no Concurso de Admissão à Carreira de Diplomata. A nova turma é a mais plural da história do órgão, com 27 dos 60 aprovados pertencentes a grupos historicamente sub-representados, incluindo 17 pessoas negras e sete pessoas com deficiência.

A ministra substituta das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, destacou que a presença desses novos profissionais é um ato de resistência e reafirma o compromisso do Itamaraty em refletir a diversidade brasileira. O ministro dos Povos Indígenas, Eloy Terena, classificou o ingresso como a materialização do conceito de "Aldear o Estado", permitindo que lideranças indígenas ocupem espaços técnicos de decisão.

Os novos diplomatas, que receberão um salário inicial de R$ 22.558, passam agora pelo curso de formação. Suas trajetórias refletem a superação de barreiras estruturais: Marcelo Kariri Menezes, engenheiro de formação, superou o desencorajamento acadêmico; Idjahure Terena traz uma bagagem acadêmica em Antropologia; e Helen Jaine Gomes Borgens, da comunidade quilombola do Retiro, conquistou a vaga após estudos independentes.

Em resumo

  • Marcelo Kariri Menezes, Idjahure Terena e Helen Jaine Gomes Borgens tornaram-se os primeiros diplomatas indígenas e quilombolas do Brasil.
  • A posse foi viabilizada pela Lei nº 15.142/2025, que ampliou as cotas no serviço público para 30%.
  • A turma 2026-2028 do Instituto Rio Branco é a mais diversa da história, com 45% de participação feminina e 27 aprovados de grupos sub-representados.

Fonte: Revista Fórum

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