Senado paraguaio derruba Santiago Peña por unanimidade em meio a escândalo financeiro
O presidente do Paraguai foi destituído do cargo após o Senado aprovar seu impeachment. A crise foi deflagrada pela intervenção no Ueno Bank, que geria vultosos recursos públicos.

Foto: Santiago Peña Crédito: Reuters · Original e licença
O cenário político no Paraguai sofreu uma mudança drástica nesta sexta-feira, 6 de novembro. O Senado do país votou pela destituição imediata de Santiago Peña, do Partido Colorado. A decisão foi unânime, com 44 votos a favor do afastamento e nenhum voto contrário, selando o fim antecipado de uma gestão iniciada em agosto de 2023. Com a saída de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana assume a chefia do Executivo para completar o mandato, que se estende até 2028.
A queda do governo foi impulsionada pela grave crise envolvendo o Ueno Bank, instituição que operava cerca de US$ 850 milhões em verbas estatais e previdenciárias. O Banco Central paraguaio interveio no banco na última segunda-feira, apontando falhas críticas de solvência. O Ministério Público local já iniciou investigações criminais contra dirigentes da instituição e também analisa denúncias que pesam contra o ex-presidente, focadas em suspeitas de favorecimento, má gestão de fundos públicos e possíveis choques entre seus interesses privados e a função pública.
Antes do desfecho no Senado, Peña tentou renunciar ao cargo. Em mensagem pública, ele afirmou que sua saída voluntária visava pacificar o país e evitar o agravamento da instabilidade institucional. Contudo, a manobra não prosperou no Congresso, pois a sessão destinada a analisar o pedido de renúncia foi esvaziada por parlamentares, impedindo o quórum necessário. A estratégia de renúncia era vista como uma tentativa de garantir ao ex-mandatário o posto de senador vitalício, o que lhe daria foro privilegiado.
A defesa de Peña, representada pelo advogado Adolfo Ferreiro, contestou o processo e chegou a mencionar a possibilidade de recorrer a instâncias internacionais, como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos. Enquanto o país lida com a transição de poder, as autoridades judiciárias seguem apurando as irregularidades financeiras que levaram à intervenção bancária e à derrocada política do ex-presidente.
Em resumo: - O Senado paraguaio aprovou o impeachment de Santiago Peña por 44 votos a zero. - O vice-presidente Pedro Alliana assume o comando do país até 2028. - A crise foi provocada pela intervenção no Ueno Bank, que administrava US$ 850 milhões em recursos públicos. - O Ministério Público investiga o ex-presidente por suspeitas de conflito de interesses e uso indevido de verbas.
Fonte: Brasil 247

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