Colapso bancário derruba governo no Paraguai e gera revolta popular
O Paraguai enfrenta uma crise profunda após a falência do Ueno Bank, que levou à renúncia do presidente Santiago Peña e à prisão de executivos envolvidos em fraudes financeiras.

Foto: Agência do Ueno Bank em Assunção, no Paraguai; instituição está no centro de investigação sobre suposta fraude de US$ 74,4 milhões que resultou em oito prisões e intervenção do Banco Central Crédito: Reuters · Original e licença
O cenário político paraguaio sofreu uma reviravolta drástica nesta sexta-feira (6), com a renúncia do presidente Santiago Peña. A decisão foi comunicada pelo mandatário após uma pressão crescente da oposição, que buscava seu impeachment, e diante de um clima de revolta nas ruas provocado pelo fechamento do Ueno Bank. Em mensagem pública, Peña afirmou que sua saída visava proteger a estabilidade democrática e a paz social do país, colocando o bem-estar da nação acima de seu projeto político pessoal.
A crise teve origem na descoberta de um rombo financeiro bilionário no Ueno Bank, instituição que geria verbas de pensão e recursos públicos. Investigações do Ministério Público revelaram que o banco operava um esquema de empréstimos irregulares para empresas do próprio Grupo Vázquez, seu controlador. Para esconder a falta de solvência, a instituição teria forjado a venda de uma carteira de créditos avaliada em dezenas de milhões de dólares. O impacto foi imediato: cerca de 3 milhões de pessoas, metade da população, ficaram com suas economias bloqueadas.
O Banco Central do Paraguai interveio na instituição para tentar conter o caos, mas a medida não impediu a queda de sua própria cúpula. Carlos Carvallo, que presidia a autoridade monetária e tinha um histórico de gestão no Ueno Bank até meados de 2023, deixou o cargo logo após autorizar a intervenção. Enquanto isso, a Justiça ordenou a prisão de oito executivos do banco, acusados de abuso de confiança e crimes contra o sistema financeiro.
Para evitar um colapso social maior, o Banco Central iniciou na quinta-feira (5) um plano de socorro emergencial. O Fundo de Garantia de Depósitos começou a liberar pagamentos de até 10 milhões de guaranis por correntista, valor que deve ser quitado em cinco dias. O benefício também se estende a brasileiros que mantinham contas na instituição, desde que cumpram os requisitos cadastrais exigidos pelo sistema financeiro.
Em resumo: - O presidente Santiago Peña renunciou ao cargo sob pressão de um pedido de impeachment e protestos populares. - O Ueno Bank foi alvo de intervenção após a revelação de fraudes e empréstimos ilegais a empresas do próprio grupo controlador. - O Banco Central iniciou o pagamento de uma garantia de até 10 milhões de guaranis por cliente para amenizar o prejuízo de milhões de pessoas. - Oito executivos do banco tiveram a prisão decretada e o presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, pediu demissão.
Fonte: Brasil 247

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