Política · Justiça

Em contradição, Flávio Bolsonaro questiona até votação em que saiu na frente

Senador admite falta de provas sobre fraude eleitoral, mas mantém ataques ao TSE e sugere que poderia ter vencido no primeiro turno.

Foto: Flávio Bolsonaro no Senado – Operação Azzardo - Flávio Bolsonaro no plenário do Senado, em foto de arquivo (Carlos Moura/Agência Senado) · Original e licença

Em entrevista à Folha de S.Paulo publicada nesta sexta-feira (6), o senador Flávio Bolsonaro (PL) voltou a questionar a lisura do processo eleitoral de 2026. Mesmo admitindo não possuir provas de irregularidades, o parlamentar, que se encontra nos Estados Unidos, insistiu em teses de fraude contra a vitória do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O discurso de Flávio ignora a atual composição do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que é presidido pelo ministro Kassio Nunes Marques, com André Mendonça na vice-presidência. Ambos os magistrados foram indicados ao Supremo Tribunal Federal pelo ex-presidente Jair Bolsonaro.

A entrevista revelou uma contradição sobre o primeiro turno da disputa, ocorrido em 4 de outubro. Na ocasião, Flávio liderou a votação com 47,03% dos votos, contra 45,16% de Lula. Ao ser questionado sobre como uma suposta fraude teria permitido sua vantagem inicial, o senador colocou em dúvida o próprio resultado que o levou ao segundo turno, indagando se teria vencido a eleição logo na primeira etapa.

Enquanto o senador mantém o tom de contestação, o PL prepara uma ação na Justiça Eleitoral pedindo a cassação da chapa de Lula e Geraldo Alckmin por suposto abuso de poder econômico. A estratégia, contudo, destoa da posição de outros quadros do partido, como o coordenador de campanha Rogério Marinho, que já reconheceu a ausência de evidências para sustentar alegações de fraude.

Em resumo

  • Flávio Bolsonaro admite não ter provas de fraude nas eleições de 2026.
  • O senador questiona a legitimidade do primeiro turno, apesar de ter liderado a votação na data.
  • O PL planeja acionar a Justiça Eleitoral para pedir a cassação da chapa vencedora.
  • As críticas ao TSE ignoram que a corte é presidida por ministros indicados por seu pai.

Fonte: Revista Fórum

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