Política

Estudantes de medicina denunciam ameaças e perseguição política em faculdade de Campinas

Após a vitória de Lula, alunos da Faculdade São Leopoldo Mandic relatam ataques, uso de armas em grupos de mensagens e medo de frequentar o campus.

Foto: Prints de mensagens com ofensas e ameaças em grupos de medicina da Faculdade São Leopoldo Mandic, em Campinas · Original e licença

O ambiente acadêmico da Faculdade São Leopoldo Mandic, em Campinas, tornou-se palco de hostilidades após o pleito presidencial de 25 de outubro. Estudantes de medicina relataram que, logo após a confirmação da vitória do presidente Lula, grupos de WhatsApp da instituição foram tomados por uma onda de ofensas, ameaças e discursos de ódio direcionados a quem votou no petista.

Os relatos apontam que as agressões verbais ultrapassaram o limite das telas. Alunos que se identificam com o campo progressista afirmam que passaram a ser monitorados dentro do campus, o que gerou um clima de insegurança que levou muitos a evitarem aulas noturnas ou a se ausentarem das atividades acadêmicas. A situação escalou a ponto de serem registrados dois boletins de ocorrência, um por injúria e outro por ameaça.

Entre as mensagens compartilhadas, os estudantes destacaram o envio da foto de uma pistola acompanhada de uma frase que sugeria uma resolução violenta para o conflito político. Além disso, circularam imagens de um homem com vestimentas do PT amarrado e amordaçado, acompanhadas de comentários que associavam eleitores de Lula à criminalidade e à pobreza, em um tom marcado por elitismo e xenofobia.

A Faculdade São Leopoldo Mandic comunicou que instaurou um procedimento disciplinar para investigar os fatos e confirmou o afastamento cautelar de um estudante. A instituição declarou que não compactua com incitações ao ódio, embora tenha classificado os episódios como discussões pontuais ocorridas fora do ambiente acadêmico, posicionamento que foi recebido com críticas por parte dos alunos, que consideram a resposta insuficiente diante da gravidade das ameaças.

Em resumo: - Estudantes de medicina relatam ameaças e perseguição política após a eleição presidencial. - Mensagens em grupos de WhatsApp incluíram foto de arma de fogo e ataques de cunho elitista e xenofóbico. - A faculdade afastou um aluno preventivamente e abriu apuração disciplinar. - Dois boletins de ocorrência foram registrados por alunos que temem pela própria segurança no campus.

Fonte: Folha de S.Paulo

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