Impeachment e prisão: o fim melancólico do governo Santiago Peña no Paraguai
Após ter o mandato cassado pelo Senado em meio a um escândalo financeiro bilionário, o ex-presidente Santiago Peña teve sua prisão decretada pela Justiça paraguaia.

Foto: Santiago Peña, presidente do Paraguai, gesticula em frente ao palácio; Santiago Peña enfrenta impeachment após quebra do Ueno Bank - Santiago Peña, presidente do Paraguai, em foto de arquivo (Federico Parra/AFP) · Original e licença
O cenário político no Paraguai sofreu uma reviravolta drástica nesta sexta-feira (6). Poucas horas após o Senado aprovar o impeachment de Santiago Peña, o Ministério Público do país expediu um mandado de prisão contra o agora ex-presidente. A medida também atinge Carlos Dagoberto Carvallo Spalding, ex-presidente do Banco Central paraguaio.
A queda de Peña foi precipitada pela liquidação do Ueno Bank, instituição financeira que mantinha laços com o grupo empresarial do qual o ex-presidente foi acionista até março deste ano. O banco, que administrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, apresentou um índice de solvência de apenas 5,56%, muito abaixo do exigido por lei. O caso gerou revolta popular, com milhares de pessoas ocupando as ruas de Assunção para exigir a devolução de recursos congelados, incluindo verbas previdenciárias do Instituto de Previsão Social (IPS).
O processo de impeachment avançou com celeridade no Congresso. Após a Câmara dos Deputados aprovar a abertura na quinta-feira (5), o Senado confirmou a destituição com 44 votos favoráveis. Peña, que não compareceu à sessão, foi representado por advogados. Com a decisão, ele perde o cargo, o foro privilegiado e o direito à senadoria vitalícia. O vice-presidente Pedro Alliana assume o comando do país.
Em nota divulgada nas redes sociais, Peña afirmou ter renunciado para evitar o agravamento da crise, declarando que sua responsabilidade é colocar o país acima de seu destino pessoal. A investigação do Ministério Público apura crimes de lesão de confiança e outras irregularidades. O ex-presidente deverá permanecer em prisão domiciliar até ser ouvido pelas autoridades.
Em resumo
- O Senado paraguaio aprovou o impeachment de Santiago Peña por 44 votos, após a liquidação do Ueno Bank.
- O escândalo financeiro afetou cerca de 3 milhões de pessoas e envolveu o desvio de recursos previdenciários.
- O Ministério Público ordenou a prisão de Peña e do ex-presidente do Banco Central, Carlos Carvallo.
- O vice-presidente Pedro Alliana assume a presidência do Paraguai após a destituição.
Fonte: Revista Fórum

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