Brasil

Soberania digital e trilhão em obras: o novo plano de desenvolvimento do BNDES

O presidente do BNDES, Aloízio Mercadante, detalha estratégia para atrair investimentos, modernizar a mobilidade urbana e garantir a independência tecnológica do Brasil frente à Inteligência Artificial.

Foto: Aloizio Mercadante Crédito: Agência Brasil · Original e licença

O Brasil desenha um horizonte de transformação profunda com um plano ambicioso que busca atrair recursos para somar R$ 1 trilhão em obras de infraestrutura. A estratégia, discutida pelo presidente do BNDES, Aloízio Mercadante, em conjunto com o representante da Brookfield, Marcos Almeida, aposta na união entre o poder indutor do Estado e o interesse do setor privado para impulsionar a reindustrialização e a transição ecológica.

Um dos pilares dessa agenda é a modernização do transporte nas metrópoles. O banco de fomento concluiu um levantamento detalhado sobre as 41 maiores regiões urbanas do país, apontando que são necessários R$ 400 bilhões para atualizar sistemas de metrô, VLT e BRT. Para viabilizar esses projetos de longo prazo, Mercadante defende o uso do chamado capital paciente, que oferece condições de pagamento estendidas por até quatro décadas, adequando-se ao tempo de maturação das obras.

No setor rodoviário, o modelo de concessões ganhou fôlego com inovações financeiras. A Nova Dutra é o exemplo central, com a reforma da Serra das Araras, que prevê a construção de 92 viadutos e a integração de tecnologias como 5G e iluminação eficiente. Já nas ferrovias, a meta é reduzir o custo logístico e descarbonizar o transporte de cargas, com o apoio de projetos como a Transnordestina e o Trem Intercidades, que também estimulam a cadeia metalmecânica.

Mercadante fez um alerta sobre o futuro tecnológico: o país precisa desenvolver sua própria Inteligência Artificial para não cair em uma nova forma de dependência externa, o neocolonialismo digital. O Brasil, contudo, possui vantagens competitivas para se tornar um centro global de processamento de dados, como a abundância de energia limpa e a estabilidade política, o que atrai grandes data centers.

Para garantir a confiança dos investidores, o BNDES reforçou sua governança. A instituição, que hoje ostenta selos de transparência da CGU, busca se consolidar como um garantidor técnico para fundos internacionais interessados na economia verde. Em resumo: - O BNDES articula um volume de R$ 1 trilhão para modernizar a infraestrutura nacional. - O banco mapeou R$ 400 bilhões em demandas para melhorar o transporte público em 41 grandes centros urbanos. - Mercadante defende a soberania tecnológica em IA para evitar a dependência digital. - A matriz energética renovável coloca o Brasil como destino estratégico para grandes data centers globais.

Fonte: Brasil 247

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